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Stéphanie Habrich Stéphanie Habrich é empreendedora, apaixonada pelo mundo da educação e do jornalismo infantojuvenil. Fundadora do Joca, único jornal para jovens e crianças do Brasil, ela vai abordar aqui na coluna temas que interligam o contato com as notícias desde a infância e a educação, sempre pensando em como podemos ajudar nossos filhos a serem cidadãos com pensamento crítico.

A não adaptação do meu filho às aulas online (e o que fiz a partir disso)

Resolvi bolar uma nova estratégia que motivasse meu filho a estudar e que contribuísse para levantar o seu emocional

Por Stéphanie Habrich Atualizado em 27 out 2020, 11h00 - Publicado em 27 out 2020, 12h30

Tenho três filhos: um de 17, um de 15 e outro de 12 anos. No fim de outubro, os três completam sete meses de aulas online. Os dois mais velhos se adaptaram bem. Envolvem-se com os projetos da escola e fazem as tarefas solicitadas. O caçula, porém, não seguiu da mesma forma com o novo esquema. Ele tinha dificuldade para acompanhar as demandas do colégio e para se dedicar aos estudos. A falta do ambiente escolar e da presença física dos professores e amigos afetou-o significativamente.

Nós, pais que temos mais de um filho, sabemos que eles não são iguais. O que dá certo para um pode não funcionar para outro – e não há nada de errado com isso. As diferenças enriquecem a casa e fazem com que os mais novos aprendam desde cedo a lidar com a diversidade de personalidades e temperamentos.

Em um primeiro momento, entendi que meu filho mais novo precisava de mais atenção do que os demais para acompanhar as aulas online. Assim, resolvi parar de trabalhar no período da manhã para ajudá-lo com os estudos. Ficava ao lado dele tirando dúvidas e auxiliando-o a fazer as atividades da escola.

Mas, em determinado ponto, cheguei à conclusão de que aquele método não estava dando muito certo também. Era complicado para mim abdicar de horas de trabalho. Além disso, em uma relação entre mãe e filho, muitas vezes, estudar juntos pode ser desafio. A intimidade torna difícil (para os dois lados) manter a paciência diante de eventuais problemas.

Mais do que isso, eu percebia que a falta de interação com outras pessoas da idade dele estava sendo um fator muito prejudicial ao seu desenvolvimento acadêmico. Em uma sala de aula, a criança ou o adolescente vê vários indivíduos da sua faixa etária fazendo as mesmas coisas que ele deve fazer. Isso, de certa forma, é um incentivo para que se dedique aos estudos, pois ele sente que não está sozinho – estímulo que, em parte, se perdeu com o isolamento.

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Pensando em tudo isso, resolvi bolar uma nova estratégia que motivasse meu filho a estudar e que contribuísse para levantar o seu emocional – em minha opinião, não há nada mais importante do que ter um emocional saudável. Junto com outros pais da escola, contratei uma tutora para se encontrar presencialmente com os alunos e acompanhá-los nas aulas online.

A cada semana, os cinco jovens se reúnem na casa de um dos estudantes. Lá, a tutora passa a manhã e parte da tarde com eles, passando orientações, tirando dúvidas e ajudando-os a acompanhar as demandas da escola. Eu e as demais famílias dividimos os custos da tutora e do almoço – que ocorre na casa em que a aula estiver acontecendo. Além disso, para participar da “escola em casa”, todos fizeram teste para covid-19 e estão constantemente atentos aos cuidados necessários para não pegar a doença.

Para o meu filho, foi extremamente benéfico. Ele começou a se dedicar mais, o desempenho na escola melhorou e ele está mais feliz. Agora, interage com pessoas da sua idade e tem com quem se divertir no intervalo. Essa parte social é tão importante quanto o lado acadêmico.

Não há como negar que o desenvolvimento social dos nossos filhos foi afetado pela pandemia. Como eu sempre digo, recuperar os conteúdos não assimilados é fácil. O difícil mesmo é reverter danos causados por um emocional abalado. Por isso, é muito importante que os pais estejam atentos à saúde social e emocional dos jovens.

Além disso, agora, com a “escola em casa”, não preciso me preocupar tanto com o desempenho escolar dele nem abdicar de horas de trabalho. Sem dúvida, isso tirou um grande peso de mim.

O novo normal pegou a todos nós desprevenidos. De repente, nos vimos diante de realidades que nunca tínhamos experimentado antes. O novo, muitas vezes, nos força a usar a criatividade e pensar em soluções diferentes para os nossos problemas. Pela minha experiência, posso dizer que valeu a pena apostar em uma estratégia fora da caixinha. Quando um problema persiste, às vezes, não vale a pena ficar insistindo apenas na mesma solução, esperando que em algum momento ela dê resultados. É necessário ousar e apostar em outros caminhos. Todos podem agradecer por isso no final.

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