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Sofia Menegon Sofia Menegon é feminista, idealizadora da podcast Louva a Deusa e consultora em relacionamento e sexualidade

Usar lubrificante ainda constrange muitas mulheres?

"Já ouvi colegas sexólogas sugerirem passar o lubrificante escondido para não magoar o marido", escreve Sofia Menegon

Por Sofia Menegon 25 nov 2021, 18h06

Você com certeza já ouviu falar sobre ele. Sem dúvida alguma já viu nas prateleiras de farmácias, supermercados e possivelmente já usou também. Com valores que variam entre R$ 5,00 a mais de R$ 500,00, o lubrificante ganhou inúmeras versões com finalidades diversas, mas continua sendo item indispensável na hora H.

Independente de idade, a lubrificação no momento da penetração nem sempre é suficiente para garantir o deslize suave e confortável. Ao contrário do que se imagina, a lubrificação insuficiente não tem ligação necessária com a falta de excitação ou com a menopausa. Mas, quando a penetração acontece nessas condições, microlesões podem ser formadas no canal vaginal, causando ardência e incômodos. Com o passar do tempo, a repetição dessas sensações negativas têm o potencial de afetar a libido.

Eu explico. O nosso cérebro está sempre em busca do prazer. Para isso, atua em um sistema de recompensa que perpetua situações que promovem o nosso bem estar, estimuladas através de reforços positivos, e inibe aquelas que nos fazem mal. Quando sentimos dores frequentes durante as relações sexuais, é comum que tenhamos cada vez menos vontade, menos desejo sexual. Afinal, estamos constantemente enviando um reforço negativo sobre essa atividade.

Além de auxiliar no deslize, o lubrificante também permite aguçar a percepção do toque, seja da genitália, das mãos ou de toys. As versões com ativos que esfriam, esquentam ou até vibram, trazem ainda um tempero extra para apimentar a brincadeira. Ressaltando que é sempre importante checar a recomendação de uso. Alguns desses lubrificantes são indicados apenas para a região externa..

Mas, apesar de todos os benefícios desse item, fato é que pegar o lubrificante no meio da transa ainda soa bastante constrangedor para muitas mulheres. Em partes, porque existe uma expectativa de que estejamos extremamente umedecidas como “prova” da nossa excitação. Por outro lado, em relações heterossexuais, pode também haver a preocupação de “ferir” a masculinidade do companheiro.

Lembro-me de namorar um rapaz que sempre checava quão lubrificada eu estava e, caso achasse pouco, ainda perguntava se eu realmente estava com vontade. Já ouvi também colegas sexólogas sugerirem passar o lubrificante escondido para não magoar o marido.

Situações como essas são frutos da desinformação que alimenta o machismo dentro das relações. Se baseiam na ideia de que nosso corpo deve estar a serviço da expectativa e desejos de outros e desconsideram a nossa fisiologia.

Precisamos romper com todas as amarras que pretendem nos manter distantes do nosso prazer e normalizar o uso de lubrificantes. Não existe nada melhor do que se entregar sem aquele medinho de sentir dor, não é mesmo? Assim, fica melhor para quem penetra, para quem é penetrada e para tudo que acontece nessa dança. Viva o seu, o meu, o nosso prazer!

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