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Jennifer Ann Thomas Jornalista especializada em meio ambiente e sustentabilidade, @jennyannthomas foi repórter e colunista de Veja e explica os efeitos dos nossos impactos no planeta.

A consciência ambiental também começa nas urnas

Nas eleições municipais, o voto pode representar a escolha por um futuro mais sustentável

Por Jennifer Ann Thomas 14 nov 2020, 18h17

As eleições municipais de 2020 vão definir prefeitos, vice-prefeitos e vereadores na maioria das cidades brasileiras (no caso do Amapá, por exemplo, a capital Macapá teve o pleito adiado por causa do apagão que atinge a região há dias).

Ao longo dos próximos quatro anos, os gestores dos municípios terão a grande oportunidade de investir em cidades mais sustentáveis e que sejam resilientes às mudanças climáticas. Para que isso aconteça, a percepção sobre a relevância dos efeitos climáticos na sociedade precisa fazer parte da escolha de cada eleitor.

Enquanto muito se discute sobre a política ambiental a nível federal, a ocupação e o uso dos espaços e dos territórios acontecem no contexto municipal. Enquanto o aquecimento global parece ser um fenômeno distante, que só vai acontecer lá no futuro e que será um problema do mundo inteiro, os efeitos das mudanças climáticas já são uma realidade agora, no presente, e podem ser sentidos em cidades de diferentes regiões do mundo.

Para estimular a conscientização sobre questões do clima na escolha do voto, a agência Purpose desenvolveu a plataforma online Bancada dos Sonhos, apartidária e criada a partir do entendimento de que essas eleições seriam importantes para discutir a crise climática no contexto de recuperação pós-pandemia. As falas dos candidatos às prefeituras de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte foram listadas de acordo com a proximidade com questões climáticas dentro dos pilares de saúde, mobilidade e emprego.

De acordo com Nathalia Rocha, estrategista sênior na Purpose, é a partir das cidades que os efeitos do clima são percebidos no dia a dia, inclusive com o aumento da desigualdade social. “A população percebe aquilo que é palpável e que deveria ser cobrado dos gestores, como investimentos para evitar enchentes e um transporte público verde”, afirmou. De acordo com ela, o apelo local é importante porque a partir dele se torna possível construir um engajamento maior.

A agenda climática ainda não é prioridade dos candidatos, nem dos eleitores. Ao mesmo tempo, ambos vão ganhar quando a vida sustentável entrar no centro das discussões. Empregos podem ser criados com projetos de reflorestamento e investimento em infraestrutura verde. O transporte público e particular pode ser mais limpo e garantir um ar menos poluído para os moradores dos centros urbanos. A saúde é influenciada pela alimentação com ingredientes de qualidade e a população será impactada por ondas de calor e eventos extremos. Na hora de pensar no futuro da cidade, lembre-se: seja lá qual for a promessa de cada candidato, não há quem ganhe, em nenhum turno, dos efeitos das mudanças climáticas.

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