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Diário De Uma Quarentener Juliana Borges é escritora, pisciana, antipunitivista, fã de Beyoncé, Miles Davis, Nina Simone e Rolling Stones. Quer ser antropóloga um dia. É autora do livro “Encarceramento em massa”, da Coleção Feminismos Plurais.

Tudo é uma questão de manter a mente quieta

Vista estressada é um mal comum na quarentena, inclusive para a colunista Ju Borges, que fala sobre o tema de forma descontraída

Por Da Redação - Atualizado em 19 jul 2020, 14h47 - Publicado em 19 jul 2020, 18h00

São Paulo, 19 de julho de 2020

No início da quarentena, eu me lembro de agradecer a existência dos eletrônicos e das redes sociais. Afinal, é o que tem garantido que mantenhamos laços e que algum afeto chegue. Mas eu já não sei mais o que sentir. Meu trabalho é escrever. E, no mundo digital, isso significa escrever diante da tela de um computador. E tem os celulares que, cada vez mais, são como partes de nós.

Comercial do jornal? Olhadinha no Twitter. Final do filme? Olhadinha no Instagram. Terminou o capítulo de um livro? Checadinha no Facebook. Só que antes da quarentena, a gente ainda tinha alguma folga. Pelo menos eu. Por exemplo, quando eu pegava o metrô. “Como assim, Juliana? O trajeto do metrô é onde eu me afundo nas redes sociais!” Pois é. No metrô, eu colocava um som qualquer e me afundava em algum livro. Porque eu odeio ler no ônibus, apesar de já ter feito muito isso no caminho para a faculdade, quando você precisa fazer aquela leitura dinâmica para não entrar na aula de sociolinguística achando que essa pode ser alguma disciplina acadêmica de Marte. O metrô tem mais estabilidade para ler, não fica aquele treme-treme dos abençoados buracos paulistanos. Mas, mesmo o fato de sairmos mais, fazia com que eu tivesse um tempo específico e bem menor diante da tela do computador e também menor no uso do celular. Com a quarentena, me sinto como se tivesse sido tragada para tudo que eu mais temia.

Esses dias, um amigo postou em suas redes sociais que, até para ficar sentado o dia todo na frente do computador, é preciso algum preparo físico. Estamos aprendendo, na marra e na pior das situações de estresse mental, que ficar horas e horas diante de uma tela é cansativo. Eu estou com a visão e a mente cansadas. De início, eu queria negar essa realidade. Eu achava se tratar de alguma deficiência de nutrientes, já que sou neo-vegetariana (rumo ao veganismo!) e poderia ter esquecido algum suplemento ou sido desleixada na diversidade de alimentos. Mas, não. Após alguns dias garantindo a boa alimentação, tomando os suplementos e a visão se mantendo meio turva (os óculos estão ok!), um amigo me disse “sua visão está estressada”. E eu sem entender como isso era possível.

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“Ah, Juliana, como assim? Não sabia disso?” Olha, eu até sabia, mas achava que “nunca vai acontecer comigo”. Mas aconteceu. E isso está acabando com a minha rotina de escrita. Após o café da manhã, por mais alegre que eu esteja, meu corpo desaba e eu irrito só de olhar para o meu computador. Eu comecei a deixar meu celular longe de mim – médicos já afirmavam há tempos que esse era o comportamento correto. Eu comecei a gostar de deixar o celular no quarto, enquanto fico na sala. Mas as pessoas parecem não dar descanso. Mensagens, mensagens, salas de Zoom, Google Meetings, áudios, memes, notícias catastróficas sobre a política nacional, tem ou não tem vacina, mais memes e o cursor do Word me dizendo que eu tenho prazos com uma série de textos – e com o meu novo livro. E eu só quero deitar e ficar lá, olhando para o teto ou de olhos fechados. Minha visão está pedindo ajuda e está completamente desesperada!

Eu só queria, neste momento, uma casa no campo, uma máquina de datilografar – sim, eu fiz aulas de datilografia e me orgulho disso – e tentar “manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”. Mas, enquanto os 10 dias de férias não chegam – alô, meu gerente de carreira! Vamos reorganizar essa agenda que eu sei que defini com você há dois dias!

Então, eu mando aqui algumas dicas que recebi de amigos e que pesquisei na internet para ajudar, caso você esteja com a visão cansada também: diminuir o brilho das telas do computador e do celular; mudar o tema do dispositivo celular para escuro (e um amigo me enviou um modo de deixar a tela dark do Word!); fazer pausas de 15 a 20 minutos; não aproximar tanto a tela do rosto; piscar (eu fiquei em choque ao ver um médico tendo que lembrar alguém de piscar, mas, pelo o que li, parece algo mais regular do que imaginamos); dormir e se alimentar bem, garantindo ômega 3 (no meu caso vegetariano, garantirei por suplemento, mas quem não for: peixes), vitaminas A, B, D e E, verduras de folhas escuras (amo!), frutas alaranjadas e vermelhas, alho e cebola. E vamos para a maratona de spa da minha visão. Não me enviem zap.

Em tempos de isolamento, não se cobre tanto a ser produtiva:

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