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CLAUDIA Cult Por Cultura Coluna sobre arte e cultura assinada pela redação de CLAUDIA

3 filmes em cartaz que vão causar uma baita reflexão

Filmes imperdíveis para quem quer colocar a cabeça pra funcionar

Por Isabella D'Ercole Atualizado em 13 dez 2016, 16h34 - Publicado em 10 ago 2016, 16h32

Tem aqueles dias que a gente só quer relaxar. Vai ao cinema, afunda na cadeira e deixa a cabeça vazia. A sensação é bem boa e traz uma paz de espírito. Mas, outras vezes, o cinema põe a gente pra pensar. Alguns filmes têm essa capacidade de nos tocar. Em vez de afundar na cadeira, você senta na beiradinha e fica ali tensa. Depois do filme, continua pensando na trama, destrinchando as falas. Pra mim, essa sensação é melhor ainda. Lembro de quando fui ver Melancolia, do Lars Von Trier. Saí do cinema tão impactada que sentei no carro e chorei. Parecia que a história da protagonista era a minha. Foi quando entendi que a intenção do filme tinha sido cumprida com louvor. Enfim, essa divagação toda é para falar que hoje estão em cartaz três filmes com esse efeito, desses capazes de fazer você parar e pensar. Recomendo muito a reflexão de cada história, talvez funcione como uma sessão de terapia para essas tempos tão complexos. Depois me contem o que vocês acharam!

1. Negócio das Arábias
Lançado na semana passada, o filme apresenta Tom Hanks na pele de um vendedor com uma missão difícil. Ele deve convencer o rei da Arábia Saudita a comprar um sistema de tecnologia da sua empresa para implantar em uma nova cidade que está sendo construída. Mas esse objetivo acaba virando pano de fundo de um longo processo de compreensão e aceitação pessoal. Hanks é Alan, um homem absolutamente comum. Recém-divorciado, luta contra as críticas e depreciações da ex-mulher. Perdeu a casa, o carro e criou grandes dívidas após um negócio fracassado. Mas, para ele, o pior é ter ficado sem dinheiro para pagar a faculdade da filha, que aceitou um trabalho de garçonete enquanto o pai tenta se reerguer.

Em flashes, Alan precisa lidar com a culpa, o medo de realmente ser um fracassado sem saída e a ansiedade para virar o jogo. É vida real: quem nunca sentiu que não ia dar conta? A familiaridade é tamanha que dá vontade de dar um abraço no personagem. O que é diferente na situação de Alan é que ele vive tudo isso bem longe de casa, em meio à uma cultura ainda enigmática para muitos de nós. Claro que o olhar de Alan é um pouco engessado, antiquado até. Ele encara os costumes locais com um estranhamento que não combina com a era da internet – mas essas partes viram boas risadas. Enfim, é para sair do cinema pensando que toda essa ansiedade acumulada não vale a pena: não há conta bancária polpuda que compense um ataque de pânico.

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2. Julieta
Esse estreou mês passado, mas ainda está nos cinemas e vale a sua atenção. O filme mais recente de Almodóvar é uma volta à temática da maternidade já tão explorada pelo espanhol. O drama é direto e reto, tipo um soco no estômago. Julieta é uma jovem apaixonada por tragédia grega e pela vida. Ela é intensa, moderna e cheia de sonhos. Em uma situação incomum, conhece Xoan, um homem mais maduro e com uma história de vida triste. Os dois se envolvem rapidamente e têm uma filha, Antía.

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O romance acaba em tragédia, parecida com as gregas que Julieta tanto gosta. Porém, é a relação com a Antía o foco do filme. A conexão entre as duas é interrompida e Julieta é deixada para exercer uma maternidade sem filhos, o que a leva à loucura. Anos depois, uma pista as une novamente e Julieta se encontra diante do desafio de reatar a relação sem deixar que a mágoa entre no caminho. É um filme delicado para mães e filhas que estão na plateia. A trama mostra como pequenos gestos podem machucar alguém que amamos tanto (incondicionalmente talvez?). Ao final da sessão, dá vontade de ligar pra mãe ou pelo menos mandar um “te amo <3” no Whatsapp.

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3. Um dia Perfeito
Mais encontrado no circuito alternativo, o filme tem elenco com muitas nacionalidades e tema bastante atual, mesmo se passando na década de 90. Conta a história de uma equipe de auxílio humanitário que está nos Balcãs durante guerras por território. Eles têm por missão resolver pequenas questões que facilitem a vivência diária da população local em meio ao conflito. A trama começa com a equipe tentando tirar um corpo de dentro de um poço. Maior do que o drama do morto é o risco de contaminação da água, o que impactaria uma cidade inteira. O filme vai se desdobrando em um único dia cheio de emoções. Novos personagens vão entrando na trama, que é recheada de momentos engraçados e embalado por uma trilha de rock clássico. Quem ficar mais atento consegue traçar muitos paralelos com os atuais conflitos na África e no Oriente Médio.

Em um certo momento, pelo rádio, o protagonista vivido por Benício Del Toro fica sabendo que um campo de refugiados com mais de 80 mil pessoas encara sérias dificuldades de saneamento básico. O choque do poder militar e do ódio entre pessoas que costumavam ser vizinhas também angustia. No fim não dá para entender muito bem porque fazemos tão mal uns aos outros, como somos capazes de provocar tamanha dor e, acima disso, como fechamos os olhos para tudo isso que está acontecendo ao nosso redor. De brinde: a beleza da fotografia, que mostra as montanhas multicoloridas e também a realidade das casas destruídas após a guerra.

Um dia Perfeito

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PS: Leve lencinhos e depois vá comer uma comida bem gostosa, daquelas que funcionam como um abraço.

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