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Conversa de Vó Natália Dornellas é jornalista, podcaster e ativista da longevidade. Procura por avós e avôs para prosear e histórias de #avosidade para contar. É criadora do podcast Conversa de Vó e cofundadora da plataforma 40+ AsPerennials

Fã da Ana Maria, Dona Dinah dá receita deliciosa de biscoito de polvilho

Aos 90 anos e curada de um câncer de mama, a dona de casa é exemplo de resiliência e arrasa na internet com receitas de quitutes do tempo da vovó

Por Da Redação Atualizado em 7 Maio 2021, 11h35 - Publicado em 7 Maio 2021, 11h31

Nunca duvide de uma senhora sorridente que “conheceu” e shippou o próprio namoro com o marido num sonho, falou que ia ter 6 filhos  – e os teve, e que, desde “pequeninha”, pensou que um dia seria famosa.  “Eu falava que ia ser famosa e que ia subir a curva da estrada de Santos”, me disse Dona Dinah em nosso papo, durante a live do Conversa Vó.

Dinah Cândida Barroso Neves nasceu em Minas, mas foi em Quirinópolis, “no” Goías, que se estabeleceu e criou uma linda família de 6 filhos (“todos eles gente boa, que me amam e eu amo eles”), 12 netos e 4 bisnetos.

Até chegar à confortável cozinha, que virou seu estúdio nesta pandemia, Vó Dinah passou por muitas e boas. Tirou leite de vaca e enfrentou a lida na roça, junto com o marido Aladim (cuja inicial do nome foi revelada por uma simpatia na bananeira). Quando ela tinha 30 anos, ambos se mudaram com os primeiros três rebentos para a cidade e abriram a padaria para a qual fazia quitutes famosos com a pamonha e a brevidade, cuja receita ela topou dividir conosco (veja abaixo).

“Eu já tinha visto o nome do meu futuro namorado,  sonhei com ele e vi ele numa festa de casamento. Pode ter fé que São João mostra mesmo o nome pra quem merecer. Eu orava e fazia a simpatia. Você faz assim: no dia de São João, antes de o sol nascer, vai lá e põe uma faca na bananeira. Antes de virar dia, volta lá e tira a faca que a letra de quem vai ser seu marido vai estar na bananeira”, aconselhou.

A vida correu seu curso até que aos 86 anos, ela recebeu um diagnóstico de câncer de mama e enfrentou um longo e exaustivo tratamento. “Era pra eu chorar, mas procurei um recurso pra não ficar triste e passei muito bem pelo tratamento, e me curei com muita fé e oração”.

Quando estava curada e feliz, veio a pandemia e dona Dinah teve que ficar reclusa. Foi aí que entrou o neto Murilo, que resolveu postar um vídeo da avó fazendo pão de queijo nas redes sociais, o que, claro, fez sucesso, viralizou e, em pouco tempo, virou um perfil nas redes sociais: @receitasdavodinah.

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Na página, ela divide receitas de quitutes das antigas e recupera receitas tradicionais como a brevidade, que anda meio sumida nos tempos atuais. “É um tipo de biscoito com polvilho, ovo e açúcar. O segredo é bater muito.

Veja a receita:

1 kg de polvilho doce, 500 gramas de açúcar e 9 ovos. Bate as claras em neve, bate o açúcar e põe as gemas. Depois disso batido, põe o polvilho e é só enformar. Deixa uns 30 minutos no forno, na temperatura de assar bolo, cerca de 140, 150 graus, e pronto.  

Vó Dinah já realizou muito do que gostaria nesses 90 janeiros de vida, mas tem dois desejos ainda muito fortes em seu coração: “O primeiro de todos é ir na Ana Maria para mostrar o pudim de leite, que criei pra ela, e o outro é ir lá em Jerusalém, subir naquelas pedras e rezar”.

Vó Dinah
(Foto: Murilo Neves)/Divulgação

Como escrevi na abertura dessa coluna, nunca duvide dessa simpática senhorinha, ela tem o poder.

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