O poder da espera

Estar junto, conversar e escutar (escutar sempre!) são mesmo o melhor caminho para quase tudo.

Foi lançado no último sábado, em São Paulo, “Pré-adolescente – Um guia para entender o seu filho” (Principium). O livro da jornalista Daniela Tófoli é muito mais do que um manual. São 144 páginas de uma reportagem completa e competente sobre a fase que, segundo a autora, vai dos 8 aos 12 anos.

Entrevistas, pesquisas e indicações de leitura dão suporte ao volume que passa pelas principais dúvidas de quem tem filhos entre a infância e a adolescência: as questões das transformações do corpo, a montanha russa emocional e o uso da tecnologia são algumas delas.

Estive no lançamento do livro com minha filha mais velha que, aos 12, está a caminho de deixar essa fase. Lara vinha de uma semana difícil de compromissos na escola. Tinha dormido tarde na noite anterior e acordado cedo para fazer uma prova de História. Passou os últimos dias entre o Império Romano e a Idade Média. Não imaginei que aceitaria o convite para me acompanhar em uma programação que não incluiria amigos, música, telas ou slimes (que praga!). Disse que sim, iria.

Dividi a fila de autógrafos com Lara por exatos 40 minutos. Conversamos sobre a prova, sobre o livro que começamos a ler ali mesmo, sobre outros que estavam expostos na livraria, sobre a receita que ela planejava fazer mais tarde, os convidados “Esse vai tomar o vinho, aposto”, “Aquela lá tem cara de quem vai de água”, brincava.

Esperar revelou-se um programa maravilhoso de sábado. Éramos nós duas atentas uma a outra. Relembrei ali da certeza de que estar junto, conversar e escutar (escutar sempre!) são mesmo o melhor caminho para quase tudo, tanto para os filhos quanto para as mães. Maturidade envolve disponibilidade. Maternidade é pura disponibilidade.

E quando esse trio poderoso não resolver (sozinho), na infância, pré-adolescência, adolescência ou em qualquer outro momento da vida, quando as mudanças de fase abalarem as estruturas, lembremos de procurar ajuda e informação. Meu desejo para nós mães e também para nossos filhos, é que tenhamos todos uma prateleira sempre cheia (de livros, amigos, profissionais de confiança e família a quem recorrer).

 

 

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