Filme de fantasia com Oprah e Reese Witherspoon não emociona

Uma Dobra no Tempo foi muito falado e prometia ser o grande sucesso da Disney esse ano. O filme tem seu valor, mas deixa mais brechas do que inspiração

 (Disney/Reprodução)

Chega amanhã aos cinemas Uma Dobra no Tempo. O filme é uma adaptação do livro homônimo, escrito pela americana Madeleine L’Engle em 1962. A fantasia conta a história de dois irmãos, Meg Murry (interpretada por Storm Reid) e Charles Wallace (Deric McCabe), que precisam viajar no tempo-espaço para encontrar o pai, um cientista da Nasa que se perdeu pelo universo durante um experimento.

No caminho, eles têm ajuda do Calvin, um colega de Meg da escola, e de três figuras mágicas, as Sras. Whatsit (Em tradução livre, “O que”, interpretada por Reese Witherspoon), Who (“Quem”, interpretada por Mindy Kaling) e Which (“Qual”, interpretada por Oprah). E descobrem que o mal está tomando conta do universo, inclusive da terra, aos poucos. Essa figura abstrata, sem rosto, espalha inveja, insegurança, medo, falta de empatia. O bem precisa vencer o mal e a resposta está dentro de nós, em nossas atitudes, em nossa capacidade de amar e espalhar o amor. Um roteiro bem Disney, com uma mensagem importante para as crianças, que vivem num mundo tão cheio de conflitos.

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 (Disney/Reprodução)

O primeiro destaque aqui vai para Ava DuVernay, diretora desse elenco recheado de estrelas. Conhecida por Selma, Ava é a primeira negra a dirigir um filme que custou mais de 100 milhões de dólares. Além disso, entrou na seara da fantasia, normalmente reservada aos homens. Ela trabalhou junto com a roteirista Jennifer Lee, de Frozen.

Há muitos pontos positivos na história. Primeiro, a beleza dos cenários e figurinos, de encantar com tantas cores e técnicas. A família principal também é um modelo de diversidade, mudança belíssima no padrão e propõe diferenças ao livro ao incluir a história de Charles Wallace ser adotado. Alguns temas adolescentes aparecem rapidamente, como bullying e disfunções alimentares – talvez pudessem até ser mais aprofundados. A heroína é uma garota bem esperta e genial em matemática e física – um incentivo bem-vindo, já que sabemos que muitas meninas deixam a área de exatas de lado depois de certa idade. E ela também passa pelo processo de aceitação de sua imagem, que inclui gostar do cabelo dela natural, sem ser alisado ou preso.

Mas, no fundo, há mais erros do que acerto. E é difícil que sua atenção seja totalmente captada. O problema mais perceptível é com o ritmo do filme, que prolonga alguns momentos desnecessários e acelera outros importantes para a compreensão da história, tirando toda a emoção. Não há suspense, surpresasOs irmãos protagonistas também não cativam. O personagem do caçula peca pelo excesso, ele é tão prodígio e genial que chega a ser chato, extremamente artificial. Ela, por sua vez, luta a guerra da autoestima comum à maioria das adolescentes (com a adição do desaparecimento do pai, o que a faz desistir de ir bem na escola e de ter amigos). O problema é que sua resistência e desejo de permanecer no isolamento cansa. E, sem nenhuma evolução gradual, mas como um estouro repentino e único, ela entende tudo que demoramos anos para entender e se torna a detentora de enorme autoestima capaz de salvar o universo.

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 (Disney/Reprodução)

O pai, que não vou dizer se é encontrado ou não, tem atitudes questionáveis em termos de ética. Em certo ponto, escolhe a sobrevivência de um dos filhos em vez de lutar por ambos. Esse assunto fica bem mal resolvido e incomoda horrores.

Ainda não sabemos como o filme vai nas bilheterias. Na crítica internacional, foi muito debatido e questionado, causou divisão entre os que elogiaram e criticaram. Entretanto, dependendo dos resultados, pode até virar franquia, já que Madeleine escreveu mais cinco livros, continuando a história dos Murry. No final, talvez ele seja para crianças de 8 a 12 mesmo, como Ava indicou desde o princípio. Perguntem aos seus filhos, sobrinhos, netos, amigos e me contem. Combinado?

 (Disney/Reprodução)

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