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Cynthia de Almeida Por Mulher S.A. Coluna da jornalista e estudiosa do comportamento feminino Cynthia de Almeida

E no final deu certo

Crianças que viram as mães saírem para trabalhar se tornam adultos com melhor desempenho na carreira, lideram e ganham mais

Por Da Redação - 24 abr 2018, 19h55

“Se o filho der certo, é porque Deus quis; se der errado, é porque você trabalhou fora de casa.”

Com seu jeitão despachado e carismático, a empresária Luiza Helena Trajano abriu seu painel no Fórum CLAUDIA 2018, no último mês, contando com bom humor que a frase acima, ouvida da própria mãe, a eximiu desde cedo de qualquer culpa da maior cobrança social sobre as mulheres que, como ela, puseram o pé para fora do lar. Os efeitos negativos que o trabalho materno pode ter no desenvolvimento pessoal e profissional dos filhos quando se tornarem adultos recaem nos ombros femininos. O estigma é particularmente cruel, pois projeta para o futuro esse prognóstico incerto sobre um comportamento do presente.

Como podemos nos defender da previsão nefasta? Do que ainda não aconteceu? Como garantir que no fim vai dar tudo certo? Depois de três décadas da entrada da mulher de maneira massiva no mercado de trabalho, finalmente já é possível medir o chamado “efeito da mãe que trabalha” sobre a sua prole crescida.

Uma grande pesquisa realizada pela Harvard Business School revelou que, diferentemente da crença convencional, ter sido criado por uma mulher que trabalha muito não trouxe consequências negativas sobre as crianças que se tornaram adultos. Nem do ponto de vista social nem do ponto de vista econômico.

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O estudo foi feito para o lançamento da Gender Initiative, uma nova área de estudos de gênero da prestigiada universidade americana, e envolveu 50 mil pessoas de 18 a 60 anos, em 25 países, entre 2002 e 2012. O resultado não apenas derruba a condenação antecipada de uma geração como mostra que o “efeito da mãe que trabalha” melhora as perspectivas dos filhos, em particular das meninas.

De acordo com a investigação, conduzida pela professora de Harvard, Kathleen McGinn, mulheres que durante a infância, antes de completar 14 anos, assistiram à rotina profissional de suas mães têm melhor desempenho nos ambientes corporativos, ganham mais e ocupam mais posições de liderança quando comparadas às filhas das que permaneceram em casa.

Em alguns países, como os Estados Unidos, os números apurados impressionam. As filhas adultas das mulheres que trabalharam ou trabalham ganham hoje 23% mais do que as que tiveram mães donas de casa. E ocupam 33% de cargos de liderança, enquanto as demais respondem por 25%.

Na visão dos pesquisadores, as conclusões mostram que negar às mulheres a oportunidade de perseguir carreiras que as realizem pode ser contraproducente não apenas para as crianças mas para a sociedade de forma geral.

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Quanto aos meninos, a pesquisa revelou que o desempenho na carreira independe do fato de a mãe ter atuado fora ou não. Mas seu comportamento em relação à família muda completamente.

Os homens educados por mães que trabalharam contribuem mais nas tarefas domésticas e nos cuidados com os filhos. Entre os respondentes, os que tinham mãe com carreiras próprias passavam o dobro do tempo com os filhos (16 horas por semana ante oito e meia dos demais).

A combinação de mulheres mais confiantes e bem-sucedidas com parceiros atentos e participativos dentro de casa é mais do que uma excelente notícia. É um salvo-conduto para provar, afinal, o que as mães que saíram para trabalhar já sabiam intuitivamente: no final, vai dar tudo certo com as crianças.

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