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Carol Sandler Por FINANÇAS FEMININAS Carol Sandler é jornalista, fundadora do Finanças Femininas e autora do "Detox das Compras"

O porquinho e a caderneta: como aprendi a poupar

"Para tomar melhores decisões com seu dinheiro, você só precisa pesquisar um pouco e ganhar autoconfiança"

Por Carolina Sandler - Atualizado em 7 nov 2018, 15h52 - Publicado em 7 nov 2018, 15h39

Quando eu era criança, nunca ganhei um cofre de porquinho. Achava lindo, mas quando pedi um para a minha mãe, ela fez algo diferente: abriu uma caderneta de poupança no meu nome.

A sensação foi indescritível – eu devia ter, na época, cerca de 10 anos. Fomos juntas para uma agência do banco e nos sentamos com a gerente. Foi um vislumbre do mundo adulto. Não havia outras crianças por lá. Todos estavam ocupados e apressados – era o meio de um dia útil, afinal de contas. Filas, senhas, documentos. Era um mundo novo.

Meio intimidante, é claro. O que é uma caderneta? Uma carteirinha pequena? Conta poupança? Como fazer aquelas contas? Nasceu ali uma curiosidade: como funcionava aquele mundo?

Ao final da “reunião” (foi assim que vi), uma surpresa: minha mãe me deu um depósito de R$ 70 para inaugurar aquela caderneta. Tenho até hoje o comprovante de depósito guardado. Manual mesmo, com o valor do depósito e o meu nome escritos à mão. Parece um resquício de uma outra era, pré-digital. Os tempos eram diferentes.

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Para me ajudar a guardar o documento, a gerente me deu uma pequena carteirinha com uma abelha desenhada. “Seu futuro mais doce”, ela diz. Dentro dela, o comprovante de um lado e, do outro, um calendário em formato de colmeia, mostrando qual era a data em que eu deveria fazer os depósitos mensais.

Nasceu ali, naquele instante, uma noção preciosa: preciso guardar dinheiro sempre. “Todo dia é dia de sua poupança”, afirma o calendário. Hoje consigo imaginar como aquele ato era diferente. Afinal, o confisco da poupança no governo Collor ainda era recente. Mesmo assim, a mensagem de que poupar era importante prevaleceu.

Não vejo a hora de poder fazer o mesmo pela minha filha. Por um lado, acho que nos dias de hoje fica muito mais difícil. Naquela época, não havia compras parceladas sem juros, lojas online, cartões de crédito ou Apple Pay. Por outro, entendo como o ato da minha mãe foi único. Naqueles tempos, não havia educação financeira – este conceito só pode surgir no Brasil depois do controle da inflação, com o Plano Real.

Hoje em dia, o acesso a tudo ficou mais fácil: tanto ao consumo quanto à informação. Se você quer mudar a forma como lida com dinheiro, basta procurar. “Pesquisa no Google, mãe”, me diz a minha filha, de 5 anos, a cada vez que ela me faz uma pergunta que não sei responder. Acho inacreditável. Mesmo sem entender exatamente o que significa as palavras “pesquisar” ou “Google”, ela já sabe o principal: se você tiver curiosidade, a resposta está a um clique de distância.

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Então basta começar. Leia sobre o assunto. Para tomar melhores decisões com seu dinheiro, você só precisa pesquisar um pouco e ganhar autoconfiança. Pesquise no Google, como diria a minha Bia. E se você tem filhos, fica uma dica: leve-os para abrir uma caderneta de poupança.

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