Pé-de-meia: já está fazendo o seu?

"O que te preenche é o tal propósito, que, aliás, não paga os boletos no fim do mês"

Vai dizer que acha fácil conseguir um trabalho depois dos 45? Fui dona de empresa por 22 anos, antes trabalhei em empresas grandes, com CLT. Hoje, tô de volta à selva. A moda da PJ, saída fiscal e financeira para a maior parte dos empregadores brasileiros, levou o empregado –aliás, ao associado- a perder boa parte de sua estabilidade, direitos conquistados.

Desde que criei meu movimento ATITUDE50, de pensar a maturidade, recebo vários inbox de amigas atrás de um emprego formal. Sai desse corpo!  Não é que não queira, mas quem passou dos 30 anos (sim, trinta anos), já está com muita dificuldade – neste Brasil acima de tudo – de conseguir um bom emprego. 

Inglês, espanhol, MBA, pós, doutorado…  Você pode ter um monte de títulos, mas o que pega é a pretensão salarial + sua experiência de vida e curriculum que vão te derrubar. Férias, plano de saúde, 13º salário, bônus? É grego para quem é profissional liberal.  Ao meu lado, nas três empresas nas quais eu presto serviços, a maior parte dos meus colegas têm de 19 a 28 anos. 

Me sinto uma espécie de Canal VIVA, aquela que sempre reprisa o que foi o melhor da sua época. Mas o que os empregadores atuais não sacaram é que a maturidade andou. A fila galgou casas na frente. Somos capazes, cultos, vividos, experientes e não necessariamente caríssimos. Mas parece que estamos fadados a sempre sermos empregadores e não empregados. Não há colocação para os seniores.

Então, galera mais jovem, presta atenção: façam logo o pé-de-meia de vocês. Depois é virar empreendedor, criar uma start up e viver com menos, muito menos. O que te preenche é o tal propósito, que, aliás, não paga os boletos no fim do mês. Deprimiu? Melhor não. Os ansiolíticos custam caro. Foda, né? 

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