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Kika Gama Lobo Por Atitude 50 Focada na maturidade como plataforma pessoal, a jornalista Kika Gama Lobo escreve sobre as sensações e barreiras que as mulheres de 50 anos vivenciam

Noite feliz. Noite feliz. Será?

Encontro com o pessoal da ginástica, das ex-sócias, dos novos amigos, dos antigos... Tô exausta e ainda faltam duas semanas para o bom velhinho chegar

Por Kika Gama Lobo Atualizado em 13 dez 2017, 17h37 - Publicado em 13 dez 2017, 16h37

Triste no Natal? Quem nunca? Com a idade, a maturidade, a passagem do tempo, a situação se agrava. A minha Caloi, o meu primeiro sutiã, o must-have da estação, quem precisa disso aos 50+?

Nossos pais, mortos ou no processo de finitude. Casamentos desfeitos. Filhos achando a data um saco por perambular pelas casas dos seus lares hoje desfeitos. Rabanada engorda. Pernil faz colesterol disparar. Festa da firma. Pqp que saco! E ainda tem a árvore para montar, o presente da secretária do médico, do gerente do banco que te faz empréstimos a taxas menores e o da costureira que reforma roupas que nos idos tempos você dava aos pobres e comprava zero-bala.

Tá namorando? O que dar pro bofe? E pros filhos dele? Vai fazer ceia em casa! Jesus-me-abana-e-socorre porque tem que ver se o ar-condicionado está ok, se a louça não está lascada, se os talheres de prata não estão negros. E a empregada-secretária vai cobrar hora-extra.  Toalha? Com bordado natalino. De mesa e do lavabo (até parece que no minúsculo apartamento em que moramos tem lavabo! Mas fica chic no texto).

“De-Para”, aqueles colantes autoadesivos para pregar nos presentes que serão rasgados e amassados estilo Talibã. Vinhos tinto, branco, rosé. Espumante Brut. Sec. Demi-Sec. Clericot. Licor. Parece prova do Enem tanta nominação para as bebidas. E hajam copos certos para cada líquido.

Bolo de castanha, de nozes, cerejas, damascos, bacalhau. Só sendo da Lava-Jato para conseguir pagar uma ceia ao estilo Sergio Cabral-Eduardo Cunha-Marcelo Odebrecht nos idos tempos dos jantares guardanapo-na-cabeça em Paris. Aqui no Rio, a temperatura bate 35 graus. À noite! No asfalto, sem terra, sem teto, sem nada. Favelas pipocam miséria. Gente que não recebe salário do governo há algumas temporadas, e a mídia vem com essa coisa de felicidade a toda prova?

No Natal, vocês já sacaram, a melancolia aumenta os níveis da minha Diva-Depressão interna. Na minha agenda tenho encontro de despedida de 2017 com pessoal da ginástica, das amigas de bairro, das ex-sócias, das atuais sócias, dos novos amigos, dos antigos da faculdade, do colégio…. Parece ônibus da CVC em cidade histórica: uma hora em cada atração perfazendo cinco programas num mesmo dia. Tô exausta e ainda faltam duas semanas para o bom velhinho dar as caras. Ho Ho Ho! Feliz Natal.

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