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Kika Gama Lobo Por Atitude 50 Focada na maturidade como plataforma pessoal, a jornalista Kika Gama Lobo escreve sobre as sensações e barreiras que as mulheres de 50 anos vivenciam

Cauã Reymond e a menopausa

Kika Gama Lobo fala sobre a novela "Um Lugar ao Sol" e o fato de o folhetim trazer uma cinquentona que fala abertamente sobre os desafios da idade madura

Por Kika Gama Lobo Atualizado em 17 nov 2021, 14h56 - Publicado em 17 nov 2021, 15h00

Te enganei né … achou que eu ia falar do ator boy magia… mas o assunto aqui é o debate do climatério tão bem retratado na novíssima novela das 21, Um Lugar ao Sol.

Andrea Beltrão está batendo um bolão. Até rimou. Mas o fato de trazerem uma cinquentona que fala abertamente sobre os desafios da idade madura, com suas despedidas de várias cenas está sendo muito inclusivo.

Adeus à cena de empregabilidade, adeus à cena erótica, adeus à visibilidade.

Como diz uma amiga, “entrou nos enta, enfrenta”.

O segredo é encarar. Procurar ajuda médica, psicológica e espiritual.

Não preconizo a juventude eterna. Não busco a beleza, o sexo selvagem, a barriga tanquinho, o emprego de milhões de dólares.

Não sou Poliana tampouco. Não sou bobalhona para acreditar em almoço grátis mas também não penso que a maturidade é o fim.

Aliás ela pode até ser um recomeço.

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O segredo, aprendi e compartilho aqui de graça, é o movimento.

Precisamos andar, caminhar, correr. O que der. No seu ritmo, mas precisamos desenhar a rota. Não importa o GPS o lance é se mover.

E pode não ser fisicamente. A caminhada começa no cérebro. Já pensou qual rota tomar? O que fará diferente? Para onde seguirá? Eu venho fazendo esse dever de casa desde que fiquei doente em 2012. Mudei de casca. Emagreci, fiquei grisalha, casei novamente, mudei de profissão. Se eu quero mais, claro!

Essa adolescência da idade madura, a gerontolescência, é uma janela aberta para as suas novas decisões.

Já tivemos nossos filhos (ou não), já avançamos na trilha profissional (ou não); já tivemos cabelo de todas as cores; manequim de todos os tamanhos e pensamentos retrógrados e modernos. Como dizia o Raul, somos essa metamorfose ambulante.

E eu quero que a novela traga para a massa esse debate. Quando uma mulher do povo faz 50 anos, ela desaparece. Vira a tia, a avó e até a bisavó já que nas comunidades a parada de engravidar começa cedo.

E nesse apagão de rastros do que fomos, urge nascermos de novo. Se tiver beijo na boca, melhor ainda.

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