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Ana Claudia Paixão A jornalista e editora digital de CLAUDIA, Ana Claudia Paixão (@anaclaudia.paixao21) fala de filmes, séries e histórias de Hollywood.

O incrível trabalho de Fiona Shaw

A atriz irlandesa, mais conhecida como Petúnia Dursley, de Harry Potter, foi indicada ao Emmy 2020 por seu desempenho em Killing Eve. Merecia ter ganhado

Por Ana Claudia Paixão - Atualizado em 29 set 2020, 09h36 - Publicado em 29 set 2020, 10h30

Fiona Shaw é uma daquelas atrizes que você conhece o rosto, lembra da atuação, mas nem sempre recorda o nome. Com vários prêmios britânicos por seu trabalho, a atriz de 62 anos vem ganhando espaço no cenário internacional. Já não era sem tempo.

Ela tem uma ponta importante em Enola Holmes e participa do filme Ammonite (estrelado por Kate Winslet e Saiorse Ronan), mas é em Killing Eve que Fiona tem dado show.

Killing Eve chegou à terceira temporada mantendo o humor, o excepcional texto de Phoebe Waller-Bridge e as atuações premiadas de Sandra Oh e Jodie Comer. As duas, no entanto, não teriam o mesmo peso sem a participação determinante da misteriosa, prática e sensacional Carolyn Martens, chefe de Eve Polastri no MI6. E Carolyn não seria a mesma se não fosse por Fiona Shaw.

Fiona (ao centro) com Sandra Oh e Jodie Comer. Foto: Corey Nickols/Getty Images

Embora seja assumidamente mais conhecida como a tia má de Harry Potter, Petúnia Dursley, a irmã que tinha ciúme e inveja de Lilly Potter, Fiona é famosa na Grã Bretanha por trabalhos que vão da comédia ao drama. Na TV, a atriz brilhou há alguns anos em True Blood e também na premiada Fleabag (pela qual recebeu sua primeira indicação ao Emmy). No cinema, fez par romântico com Daniel Day Lewis no início de sua carreira, quando estrelaram Meu Pé Esquerdo, e apareceu em várias produções, mas, em geral, como coadjuvante.

Fiona Shaw seria “uma atriz de teatro”, porque é no palco que ela brilha com maior frequência e coleciona o maior número de premiações (três Oliviers de Melhor atriz). Se pessoalmente ela é uma gozadora, sempre fazendo brincadeiras e rindo abertamente, suas personagens geralmente são o oposto. No entanto, é como Carolyn Martens que Fiona está voando.

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Desde sua entrada, a personagem é um poço e mistério e coleciona algumas das melhores cenas e frases de toda a série. Evitando o spoiler principal da terceira parte da história, que ficou em aberto para uma grande virada na quarta temporada, se não fosse pela sutileza de uma atriz com o talento de Fiona, não teria o mesmo impacto. O desempenho rendeu sua terceira indicação ao Emmy (segunda pelo papel), mas perdeu para Julia Garner, de Ozark. Para mim, injusto.

Fiona Shaw nasceu no interior da Irlanda, filha de um oftalmologista e uma física. Criada como católica, brinca que sua mãe a proibiu de ser freira e lembra que, quando era adolescente, gostava de dançar ao som de ABBA. Os pais também não queriam saber da filha no mundo artístico e por isso Fiona teve que primeiro terminar a faculdade de Psicologia, para depois, por sua conta, entrar para a prestigiada Royal Academy of Dramatic Art (RADA). Desde sua estreia no teatro, vem colecionando as melhores críticas, até mesmo quando ela viveu o papel principal de uma montagem de Richard II, de William Shakespeare. Isso mesmo, ela era Richard II. Não há limites para seu talento.

Na vida pessoal, da qual não gosta de falar muito, Fiona sempre foi sincera sobre sua sexualidade. Namorou a atriz Suffron Burrows, e hoje é casada com a economista Sonali Deraniyagala.

Em momento descontraído com a esposa, Sonali Deraniyagala. Foto: Dave Benett/Getty Images

Em geral, o sucesso não a incomoda. Ela até se surpreende quando é reconhecida – e normalmente  maltratada – pelos fãs de Harry Potter. Como em um voo, em que uma aeromoça a tratou mal durante boa parte da viagem até que, um tempo depois, pediu desculpas por ter esquecido que Fiona é uma atriz e que Petúnia era apenas uma personagem.  “Tenho a impressão de que ela deveria tentar outro trabalho”, riu ao lembrar do fato em uma entrevista.

No mais, não se preocupa com paparazzi ou repórteres. “O bom de ser coadjuvante é que ninguém lembra de você e, ainda assim, você é convidada para as festas e eventos”, ela brinca, com sua conhecida risada. Minha torcida é que em breve o reconhecimento por seu trabalho ganhe o mundo. Ela merece.

As três temporadas de Killing Eve estão disponíveis no Globoplay.

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