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Ana Claudia Paixão A jornalista Ana Claudia Paixão (@anaclaudia.paixao21) fala de filmes, séries e histórias de Hollywood

Como o #MeToo mudou nossa visão das mulheres de “Game of Thrones”

Escrita e exibida antes do movimento, a série absorveu mudanças de comportamento no mundo fictício e merece ser revista com outros olhos

Por Ana Claudia Paixão Atualizado em 14 abr 2021, 18h15 - Publicado em 14 abr 2021, 14h02

O Iron Anniversary, em português “aniversário de ferro”, marca os 10 anos de Game of Thrones. A data é um bom momento para resgatar as (boas) memórias da série. Para quem não tem os DVDs ou Blurays, a HBO comemora com maratonas, também conhecida como “maratrono”, por todo o mês de abril.

Afinal, a série foi acompanhada por pelo menos 45 milhões de espectadores nos Estados Unidos, com distribuição em 207 territórios no mundo e não era exibida em TV aberta. Em outras palavras, com acesso restrito. O impacto e força da marca são ainda mais impressionantes com essa perspectiva.

Na grade da HBO, a partir do sábado, 17 de abril, cada dia da semana será dedicado a uma temporada completa, começando sempre às 10h. São 73 episódios. Prontas?

Mas não estranhe. Quando George R R Martin começou a saga de Game Of Thrones o mundo era bem diferente. Décadas antes do movimento do #MeToo, a história retratava um universo semelhante ao medieval, onde as mulheres tinham que se submeter ao machismo reinante, mesmo que fosse uma obra de fantasia.

Ainda que fortes, as heroínas não eram poupadas de violência, estupro, humilhação e falta de protagonismo. O gênero era usado contra elas e por elas. Daenerys Targaryen, por exemplo, foi vendida pelo irmão e violentada pelo marido. Isso logo nos primeiros episódios. E na segunda temporada, Cersei Lannister ensina à Sansa Stark que  “o verdadeiro poder das mulheres está entre suas pernas”.  Ui! Percebemos o quanto avançamos nos últimos anos.

A série foi, até a quarta temporada, bastante fiel aos livros. Inicialmente era conhecida também pela nudez feminina gratuita, entre outras coisas hoje inadmissíveis. Aos poucos, porém, as mulheres de GOT ganharam protagonismo. As irmãs Arya e Sansa Stark não teriam chegado ao fim da história com o status que chegaram se a série seguisse seu curso original.

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Na primeira temporada, Arya queria lutar “como um homem” e foi encorajada pelo pai, que entendeu que as “regras estavam erradas”. Sansa só queria se casar e ter filhos, mas terminou como uma poderosa e respeitada Rainha do Norte enquanto foi Arya que foi a heroína que venceu a guerra de três mil anos contra os night walkers. As duas, literalmente, reescreveram suas trajetórias.

Nem todas tiveram a mesma sorte sorte. Muitas (literalmente) morreram no caminho. O destino de Daenerys Targaryen passou a ser um dos mais polêmicos da História da TV. Ela tem uma “virada” que era para ser surpreendente, mas foi incoerente pois mudou de mocinha para vilã em poucos episódios.

Mesmo que tenha sido a proposta inicial (George R. R. Martin insistia na frase “o vilão é o mocinho do outro lado”), para muitos a decisão de inverter seu arco reforçou o clichê de uma  mulher enlouquecendo com o o acesso ao poder e sofrer rejeição amorosa. A Jon Snow coube a missão de “matá-la para salvar a humanidade”. Eu amava o Jon e me partiu o coração que coubesse a ele esse crime tão criticado.

No final das contas, Sansa Stark foi a melhor jogadora e a grande vencedora do Jogo dos Tronos. Se o autor tivesse acabado os livros a tempo e antes da série, dificilmente a conclusão da história seria a mesma. Mas, em geral, as mulheres saíram por cima. A ver como será com House of the Dragon, previsto para 2022.

Uma coisa que está assegurada é a beleza dos figurinos. A mesma Michele Clapton vai assinar  a produção. Conversamos exclusivamente aqui para o site de CLAUDIA em 2019. Vale relembrar também! Clique aqui.

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