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Ana Claudia Paixão A jornalista Ana Claudia Paixão (@anaclaudia.paixao21) fala de filmes, séries e histórias de Hollywood

Me Too: bastidores do movimento que mudou Hollywood e o mundo

A colunista Ana Claudia Paixão fala da primeira vez que viu o produtor Harvey Weinstein, condenado por diversos crimes sexuais, pessoalmente

Por Ana Claudia Paixão Atualizado em 20 ago 2021, 19h41 - Publicado em 20 ago 2021, 19h36

Aqui no site de CLAUDIA, fiz parte da equipe que acompanhou e cobriu toda a movimentação do #metoo, do julgamento à condenação do produtor Harvey Weinstein. Foi um momento recente da história do entretenimento que estamos acompanhando cada capítulo.

Como trabalho no meio audiovisual há muitos anos, estive no mesmo ambiente que Weinstein algumas vezes. A última vez que o vi pessoalmente, em Nova York, talvez em 2015, ele estava almoçando com uma jovem que parecia ser uma modelo, no Locanda Verde, um restaurante em Tribeca, perto do escritório dele na cidade.

Uma cena comum, na época, mas lembro da sensação estranha quando o vi porque sempre foi uma figura assustadora, já que é famoso por sua agressividade “como homem de negócios”.

Veja também: Por conta de novas acusações, Weinstein será transferido para LA

Eu desconhecia o fato de que também fiquei hospedada mais de uma vez no hotel onde ele foi preso depois da denúncia de estupro que deflagrou sua queda. Inclusive estive lá no mesmo ano de sua prisão, por isso meu estômago voltou a revirar quando assisti ao primeiro episódio da série documental Catch and Kill, da HBO Plus.

Um pensamento horrível de saber exatamente onde tudo aconteceu, me fez ficar muito angustiada. Mas é muito importante revisitar essa história.

Catch and Kill é o nome do best-seller e do podcast do jornalista Ronan Farrow, que é o condutor da série. Foram seus artigos, vencedores do Pullitzer, que deram o empurrão final e fôlego para o movimento #metoo.

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O documentário é dividido em seis episódios e podemos ouvir e ver, em primeira mão, as entrevistas com as sobreviventes, com as fontes, os investigadores e jornalistas que participaram dos artigos de Ronan. Sério, ouvir a gravação com a voz de Weinstein cercando uma de suas vítimas é quase um filme de terror.

Ronan é um grande jornalista e escritor. Nem precisava dizer isso com a carreira que está construindo, mas é um grande comunicador.

Ele também esteve à frente do documentário Allen versus Farrow, da mesma HBO Max, no qual acusa seu pai, Woody Allen, de ter abusado sexualmente de sua irmã, Dylan.

Ronan é um homem de muita coragem e sensibilidade. Exatamente porque foi marcado por um fato pessoal tão traumático e que se dedicou de corpo e alma para investigar os abusos de Harvey Weinstein. É sensacional ouvir diretamente dele e das sobreviventes, com as imagens e áudios, como tudo aconteceu.

Hoje Weinstein está preso, mas os processos contra ele ainda estão em andamento. Sua história ainda não acabou. Por isso mesmo, Catch and Kill é um conteúdo obrigatório para todas nós. Para que possamos, como fiz, olhar para trás e ver o que é inaceitável e que não deixaremos voltar a acontecer. Nunca mais.

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