Clique e Assine a partir de R$ 8,90/mês
Ana Claudia Paixão A jornalista Ana Claudia Paixão (@anaclaudia.paixao21) fala de filmes, séries e histórias de Hollywood

Aos 69 anos, a atriz Jean Smart terá uma série à sua altura

A colunista Ana Claudia Paixão comenta sobre o novo trabalho de Jean Smart na HBO

Por Ana Claudia Paixão Atualizado em 21 jul 2021, 11h51 - Publicado em 16 jul 2021, 19h38

Jean Smart é uma atriz premiada na TV e no teatro, adorada e consistente há décadas, porém parece que apenas agora, aos 69 anos, encontrou o veículo que de fato te dará o estrelato mundial. É a série Hacks, da HBO Max. Se você ainda não viu, recomendo. São apenas 10 episódios de 30 minutos ultra fáceis de maratonar.

Em Hacks, Jean é Deborah Vance, uma comediante lendária e uma das maiores estrelas em Las Vegas, com seu show de stand up. É uma versão ainda mais ácida do que foi Joan Rivers, alternando entre abusiva, carinhosa, fria, cruel e amorosa em frações de segundos. Deborah está sob a ameaça de perder seu palco para artistas mais jovens e precisa se reinventar. É obrigada a aceitar a ajuda de uma escritora da geração Z, já que ela mesma enfrenta problemas de cancelamento. Juntas, as duas são forçadas a encontrar uma voz única, mas será que conseguem?

Como se vê, a premissa não é original. O diferencial está justamente no brilhantismo e talento de Jean Smart, que é a franco favorita para o Emmy de Melhor Atriz Comédia do ano pelo papel. Para os americanos ela é bem conhecida e coleciona vários prêmios, incluindo dois Emmys por Frasier, além de indicações por Fargo e Watchmen. Como transita com igual louvor entre comédia e drama, não é à toa que além de Hacks esteja concorrendo como Atriz Coadjuvante por Mare of Easttown. Ela é espetacular assim.

Deborah Vance é uma personagem difícil. Ela é sobrevivente a um meio ultra machista, porém é cobrada por não transparecer empatia ou até mesmo, sororidade. Debora é meio Rainha da Inglaterra, “não reclame e não fale”, mas a regra não se aplica mais e acompanhamos a sua transformação de não apenas dar voz às mulheres, mas buscar a sua no passado, revivendo feridas que preferia ter esquecido. São momentos fortes em que um olhar apenas traduz uma gama gigantesca de emoções.

Assistir Hacks nos faz comparar Deborah Vance, inevitavelmente, à Miriam Maisel, de The Wonderful Mrs. Maisel, da Amazon Prime Video. As duas teriam sido contemporâneas e, eu gosto de imaginar, amigas. Rachel Brosnahan ganhou o Emmy de Melhor Atriz em Comédia, em 2017. Porém, enquanto Miriam ainda é doce, Deborah foi perdendo a suavidade ao longo da vida, um retrato importante para que jovens mulheres entendam sobre aquelas que pavimentaram o caminho para elas. Os sacrifícios da personagem são apresentados aos poucos e, quando chega à catarse final, aplaudimos sua coragem.

Como curiosidade, Hack, em inglês, é uma gíria para criticar quem escreve mal. Um escritor medíocre seria um “hack”. No caso, aqui é em referência à Deborah e à Hannah, a escritora que a ajuda a reescrever seu show. E estão muito longe da mediocridade.

  •  

    Continua após a publicidade
    Publicidade