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Ana Claudia Paixão A jornalista e editora digital de CLAUDIA, Ana Claudia Paixão (@anaclaudia.paixao21) fala de filmes, séries e histórias de Hollywood.

A oportunidade de rever o talento e a beleza de Sophia Loren

Aos 86 anos, a atriz deixou a “aposentadoria” para estrelar um filme dirigido pelo filho, Edoardo, e conquistar um novo público na Netflix

Por Ana Claudia Paixão Atualizado em 23 nov 2020, 17h14 - Publicado em 23 nov 2020, 17h30

Ela é uma das maiores lendas do cinema e, aos 86 anos, um dos destaques do streaming – com o filme Rosa e Momo, da Netflix.

A vida de Sophia Loren parece muito com um dos vários filmes que estrelou. O pai era nobre (um marquês),  mas ele não era casado com sua mãe, portanto a filha não herdou o título nem a fortuna. Ao contrário, teve uma infância pobre e cheia de dificuldades, contando apenas com a mãe e a irmã caçula. Sobreviveram à Segunda Guerra Mundial, cantando e trabalhando como garçonetes. Com 15 anos, a beleza de Sophia a levou à posição de finalista do concurso Miss Itália, ganhando notoriedade. No ano seguinte, deu os primeiros passos na carreira como atriz, aparecendo como extra no filme hollywoodiano, Quo Vadis, filmado em Roma.

A ponta rendeu participação em comerciais e outros filmes e, ainda jovem, conheceu o homem que viria a ser o amor de sua vida, o diretor Carlo Ponti. Ela tina 16 anos, ele, 37.  Na época, a diferença de idade já era de chamar a atenção.

A relação de Carlo e Sophia sempre reuniu o pessoal e profissional. Foi ele quem criou o nome artístico de Sophia, “Loren”, para soar como uma mescla de sueco com italiano. Reza a lenda que Carlo a princípio disse que ela era “feia”, alegando que não fotografava bem por ter “rosto pequeno, lábios carnudos demais e nariz grande”. Ela insistiu, ele mudou de ideia e os dois se apaixonaram. Como Sophia Loren, ela começou a ganhar destaque e fez sucesso ao lado de Marcello Mastroianni, com quem estrelou vários filmes. No final dos anos 1950, os americanos não podiam mais ignorar a beleza e o sucesso de Sophia e ela foi para os Estados Unidos.

Em Hollywood, assinou um contrato com a Paramount e fez história quando ganhou o Oscar de Melhor Atriz por um filme não falado em inglês, o italiano Duas Mulheres, de Vittorio de Sica. Era então, uma das mulheres mais admiradas e respeitadas como atriz no mundo.

Hulton Archive/Equipe/Getty Images

Sua união com Carlo Ponti foi um escândalo na época. Além da diferença de idade, na Itália ele não podia se divorciar da primeira mulher por causa da religião. Os dois se casaram na França, mas as leis italianas o trataram como bígamo e apenas em 1993 superaram os problemas legais. Os dois ficaram juntos até a morte do diretor, em 2007.

Em 1991, Sophia recebeu um segundo Oscar, dessa vez honorário, e foi eleita como um dos tesouros do cinema. Nos anos 2000, reduziu suas aparições como atriz, preferindo escrever livros de culinária e se dedicar a outros negócios. Por isso, tê-la em Rosa e Momo depois de um hiato de 6 anos é tão digno de destaque. Claro que ajuda o fato de o  único diretor que a convence a voltar para frente das câmeras seja seu filho, Edoardo Ponti, mas é uma grande oportunidade!

No filme, Sophia é Madame Rosa, uma ex-prostituta e sobrevivente do Holocausto que mantém uma creche em sua casa, para ajudar suas ex-colegas de profissão. Depois de ser assaltada por um menino senegalês, ela o acolhe e os dois acabam formando uma família nada convencional. Baseado no livro “A Vida Pela Frente” de Romain Gary, Sophia trabalha com o jovem talentoso Ibrahima Gueye. Além da impecável atuação da atriz, Rosa e Momo se destaca por uma bela fotografia e uma linda trilha sonora. Preparem os lenços, é para deixar a emoção tomar conta mesmo.

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