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Ana Claudia Paixão A jornalista Ana Claudia Paixão (@anaclaudia.paixao21) fala de filmes, séries e histórias de Hollywood

A importância de Anita em “Amor, Sublime Amor”

A personagem coadjuvante do filme rendeu – até hoje – o único Oscar para uma atriz latina, Rita Moreno. Isso já tem 60 anos

Por Ana Claudia Paixão Atualizado em 30 abr 2021, 18h09 - Publicado em 30 abr 2021, 18h30

A noite do Oscar 2021 rendeu algumas surpresas. Anthony Hopkins tirou de Chadwick Boseman o único prêmio de uma longa temporada de festas online (embora merecido, pena que não foi empate) e Frances McDormand, com sua originalidade, confirmou a vitória anunciada em 2020, colecionando agora três estatuetas de Melhor Atriz e uivando, literalmente, no palco.

De quebra, Glenn Close dançou o quadradinho e H.E.R. foi uma das mais jovens artistas a receber um Oscar de Melhor Canção, aos 23 anos. Uma senhora noite. Quem mais uma vez roubou a cena foi a lindíssima Rita Moreno, aos 89 anos.

Rita foi a primeira atriz latina a vencer um Oscar, há 60 anos, pelo filme Amor, Sublime Amor, que foi regravado por Steven Spielberg e chegará aos cinemas em dezembro. O teaser foi lançado em um dos intervalos do Oscar, reacendo a saudade de Anita, a personagem de Rita no longa.

Amor, Sublime Amor (no original, West Side Story) nasceu como fenômeno e ainda é um dos maiores clássicos de todos os tempos nas telas. Foi indicado 11 vezes ao Oscar, ganhou 10, sendo que além de Rita, George Chakiris também ganhou como ator coadjuvante pelo papel de Bernardo, o líder dos Sharks (a gangue porto-riquenha). O fato de que um ator de origem grega fez o papel de um porto-riquenho não passaria hoje, mas George está espetacular.

Em um recap para quem ainda não viu o musical, Amor, Sublime Amor nasceu da ideia dos amigos Jerome Robbins e Leonard Bernstein de adaptar Romeu e Julieta para um contexto atualizado.

O musical levou quase oito anos para chegar à Broadway, mas foi sucesso absoluto. Em apenas quatro anos virou filme. Na trama, Romeu é Tony e Julieta é Maria.

Os Montequios são os americanos filhos de poloneses (os Jets) e os Capuletos são os imigrantes porto-riquenhos (os Sharks). O irmão de Maria, Bernardo, é o Tibaldo e Anita, sua namorada.

Diferentemente da inocente Maria, Anita é uma mulher realista que sobrevive à violência ao seu redor, ao mesmo tempo em que sonha ter uma vida melhor na América, o título da canção que canta em uma das cenas mais famosas do cinema.

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Anita é vital na trama porque é vítima e algoz, com suas decisões impactando diretamente na virada trágica da história. É que, depois de ser quase violentada pela gangue rival, é sua decisão de mentir que provoca uma nova onda de violência e mortes como consequência.

Sem Anita, não háAmor, Sublime Amor. Passar credibilidade, doçura e tristeza exige uma atriz versátil e, por isso, o Oscar de Rita Moreno foi um dos mais acertados da história da Academia.

Assim como Natalie Wood, Rita não fez parte do elenco do teatro. Ela substituiu a lendária Chita Rivera, que fez Anita na Broadway. A atriz, que sempre lutou contra estereótipos em Hollywood, lamentou que antes do Oscar só conseguia papéis onde estava fortemente maquiada para esconder sua latinidade ou interpretava mulheres pobres.

Depois do prêmio, apenas incluiu a parte de estar em “gangues” como opção. Algo que seis décadas depois, espera-se mudar. Na versão de Spielberg é Ariana DeBose que vai encarnar a nova Anita.

Ariana fez sucesso na Broadway e foi indicada ao Tony como uma Donna Summer jovem, no musical da cantora, que também esteve em cartaz no Brasil, pouco antes da pandemia.

Ela está no elenco do filme da Netflix, The Prome, que promete roubar a cena mais uma vez. Há uma importante sutileza no teaser que foi revelado no Oscar. Rita Moreno faz parte da refilmagem em uma ponta importante, embalando a canção belíssima Somewhere (na peça, interpretada por Maria). Todo o hype em torno da refilmagem promete ser justificado e já é tempo poder dar voz para Anita, Rita e Maria.

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