Sete dias de sexo

Para apimentar o casamento, Simone propõe a Nino uma maratona sexual.

Através do sexo, Simone redescobre o seu amor por Nino.
Ilustração: Ana Bento

Dez minutos de silêncio. Contei no relógio da parede da cozinha: Nino e eu ficamos dez minutos em silêncio durante nosso café da manhã, naquele sábado. Seis anos antes, no primeiro ano de nosso casamento, costumávamos tomar café na cama após uma noite intensa de sexo. Passado o tempo, a rotina, o estresse do trabalho e uma profunda falta de motivação nos deixaram assim: quietos.

No dia a dia, mal nos falávamos. Ele acordava antes de mim, ia para o chuveiro e tomava café. Eu fazia o mesmo, instantes depois. Tudo calados.

Sorrisos amarelos e beijos quase por obrigação eram trocados na hora de cada um seguir para seu trabalho. Parecíamos um casal às vésperas da separação. Na verdade, éramos um casal às vésperas da separação.

Minha cunhada, Celinha, foi obrigada a ouvir todo esse meu lamento naquela manhã de domingo. Passeávamos no calçadão da praia. Nino jogava futebol com os amigos numa quadra não muito longe dali. “Simone, menina, vocês têm muito pouco tempo de casado para estarem desse jeito. Precisam fazer algo urgentemente!”, falou, com a segurança de quem sabia conduzir muito bem seu casamento de dez anos. “Celinha, eu não sei como agir. A gente consegue pagar todas as contas e viver bem, mas falta um casamento de verdade. Depois desse tempo todo, acho que viramos irmãos!”, lamentei, antes de cair no choro.

Minha amiga, então, ergueu meu rosto com as duas mãos e sorriu: “Por que você acha que Mauro e eu nos damos tão bem? Dinheiro? Nem temos tanto! Mas, em compensação, mesmo após uma década, nós nos desejamos diariamente. Vou traduzir para você: nós transamos quase todo dia!”, confidenciou, com ar malicioso.

Ri. Nem me lembrava mais de quando sentira Nino dentro de mim. Só o via nu quando se trocava no quarto – e a recíproca era verdadeira. À noite, cansados, dormíamos feito pedra e mal tocávamos um no outro. “Tem razão, cunhada. Talvez seja isso mesmo que nos falte…”, assenti.

Celinha deu uma piscadela cúmplice para mim: “Por que você não propõe a ele algo bem picante, que possa reaproximá-los na cama e fora dela?”. Fiquei confusa de imediato, mas depois a ficha caiu. Fui para a casa com algo na cabeça e precisava propor logo a Nino.

Meu marido chegou do jogo cansado e foi direto para o banho. Segui-o, vi que a porta estava aberta e entrei. “Pega uma toalha, por favor”, gritou, de dentro do boxe. Com ela na mão, abri a porta e ele me olhou surpreso. Ficou ainda mais espantado quando entrei nua debaixo do chuveiro. “Acho que a gente anda meio distante e precisa resolver isso antes que esse casamento acabe em divórcio!”, falei.

Ele concordou, ainda meio abobado com minha atitude repentina. “E o que você acha que a gente deve fazer, Simone?”, perguntou, dando-se conta de que os bicos de meus seios estavam começando a ficar eriçados.

Estiquei minhas mãos até seu membro pulsante e o apertei delicadamente, provocando imediatamente a reação que tanto esperava “Proponho uma semana de sexo. Proponho que a cada dia a gente faça alguma coisa diferente na cama. Tudo por uma semana. Quer tentar?”. Ele deu uma gargalhada meio nervosa – ainda se via que estava assustado diante de toda a minha ousadia. Só relaxou mesmo quando me ajoelhei diante de seu corpo e parti para o sexo oral. “Eu… topo!”, respondeu, com a voz trêmula. E, assim, demos início à maratona mais quente e louca de nossas vidas. Se tão ousada tática salvaria nosso casamento? Ah, isso só o tempo nos diria.