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O cheiro do feno

Torão, o peão de rodeio mais famoso do país, conquista a jovem Daniela, socorrida por ele em um rodeio. Mas os dois se desentendem porque o rapaz não resiste às fãs

Por Redação M de Mulher Atualizado em 21 jan 2020, 12h55 - Publicado em 26 out 2008, 21h00

Ilustração: Dreamstime

Quando se aproximava o mês de junho, minha pacata cidade se transformava num lugar agitado. Por todos os lados, pipocavam festas juninas, bingos, shows e, principalmente, rodeios. E foi num deles, em 1998, que minha vida mudou completamente.

Eu tinha descoberto há um mês que estava grávida. E também que meu namorado me traia com uma de minhas melhores amigas. Nem preciso dizer que a única coisa que fazia era chorar: “Daniela, pare com isso, homem nenhum merece essa sua tristeza!”, dizia, minha mãe, sem saber, ainda, da minha gestação. Se ela soubesse a verdade…. Aliás, se meu pai, Seu Antônio, soubesse… Xiii, me matavam e davam um fim no desgraçado do Rodolfo também, aquele mulherengo, safado…

“Você transou com ele sem camisinha, Daniela. Você queria o que? Por sorte, só pegou barriga. Podia ter pego uma doença grave!”, falou a única amiga para quem contei meu calvário.

Lá estava eu, no Rodeio, sentada, comendo uma maçã do amor, do lado de fora da arena principal. Era a quinta maçã do amor que eu devorava. Os doces me consolavam nos momentos de tristeza e, por isso, achava que estava engordando também!

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Não tinha avisado ninguém que eu ia naquele dia na festa. Queria ficar sozinha, pensando em alguma solução. Já estava comprando a sexta maçã do amor da noite quando notei um tumulto próximo a entrada da arena. Peguei o doce e corri para lá. “O que está acontecendo?”, perguntei a uma menina que chorava com um bloquinho na mão. “É o Torão! É o Torão”, gritava, histérica, apontando para alguém no meio da massa.

Fiquei na ponta dos pés e, finalmente, eu o vi. Alto, moreno, másculo e com um chapéu lindo. Ele sorria para as meninas, enquanto dava autógrafos. Equipes de TV e rádio tentavam se aproximar para uma entrevista. Seguranças lutavam para o afastar de todos e levá-lo para uma van que já o aguardava. “Torão, eu te amo!”, gritou, uma senhora, ao meu lado. Entrei no meio da bagunça e tentei me aproximar, como que hipnotizada. Por pura sorte ou persistência, cheguei mais perto dele que a maioria. Havia um clima de tragédia no ar.

A multidão se espremia, crianças saiam carregadas nos ombros dos pais e policiais começavam a tentar conter a histeria coletiva dos fãs de Torão. Uma menininha, com uma foto do rapaz, me deu sua ficha completa. “O Torão é o maior peão da região. Já montou todos os touros mais bravos. Ela namorou aquela famosa atriz de TV, que eu não lembro o nome, aquela loira…”, dizia, enquanto, ao mesmo tempo, tentava chegar mais perto do astro.

Aos poucos, contrai o vírus do Torão. Consegui, então, vê-lo por inteiro. Corpo atlético, calça justa, cinturão reluzente e uma bota, provavelmente, de um couro exótico. Charmoso, exalava sensualidade por todos os poros.

Finalmente, eu o toquei nos ombros. Venci um cordão de isolamento e, por alguns segundos, estava ligada e ele. Ele se virou e me viu. Deu um sorriso terno, mas nervoso ao mesmo tempo. Eu retribui. No gesto seguinte, quis dizer meu nome e cumprimentá-lo. Foi nesse momento, que senti uma pontada nas costas. Assustada com os cavalos das polícia, as pessoas começaram a correr e acabei caindo. Chorava de dor, enquanto sentia homens e mulheres passando por cima de mim, me pisoteando. A última coisa que fiz antes de desmaiar de agonia foi pensar em proteger o bebê que estava dentro de mim.

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