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Linhas cruzadas

Claudia achava bonita a amizade de Valcir com Ernesto, até descobrir que ia bem além do coleguismo.

Por Redação M de Mulher Atualizado em 21 jan 2020, 13h02 - Publicado em 26 out 2008, 21h00

Ilustração: Dreamstime

No começo, aquilo me incomodava profundamente. Todas as sextas-feiras, Valcir saía para jogar futebol com os amigos. Sempre entendi que a maioria dos homens ama bater bola e isso nem me chateava. Porém, meu marido exagerava! Até no nosso primeiro aniversário de casamento, ele optou por primeiro comparecer à partida para só depois me levar a um motel.

Quantas e quantas noites fiquei em casa, na frente da TV, esperando por Valcir… Quando ele chegava, estava sempre suado. A camisa, imunda. “Tem comida para mim?”, perguntava, de um jeito maroto, ao abrir a porta de casa. Aos poucos, comecei a me acostumar e a achar aquilo normal. Conversava com minhas colegas e os companheiros delas faziam o mesmo. Aos domingos, às vezes, eles também se reuniam para ver futebol. Eu via como coisa de homem e pensava: “Deixa pra lá, esse universo masculino é assim mesmo”.

Um dos colegas mais próximos de Valcir era o Carlos, atacante do time de futebol de salão deles. Havia chegado há seis anos de Porto Alegre, RS. Sua mulher, Alessandra, era muito minha amiga. Quando nos encontrávamos, sempre fazíamos coisas que amigas fazem: fofocar, fofocar e, claro, fofocar. “Cláudia, que cheiro bom! O que temos para jantar hoje?”, me perguntou Valcir naquela sexta-feira de setembro. Ele havia acabado de chegar do jogo e o relógio da sala marcava 22h. “Pizza caseira… Fiz uma de mussarela e outra de atum”, respondi e aproximei-me, cheia de amor para dar.

Aquele cheiro de suor do meu amado provocava em mim desejos carnais. Quando ele seguiu para o banheiro, fui atrás. “Posso dar um banho caprichado em você?”, perguntei, maliciosa. Ele sorriu. “Depois, amorzinho. Agora estou meio cansadão e não vai rolar nada, minha gata”, disse, delicadamente, fechando a porta de nosso banheiro. Frustrada, fui para a cozinha e arrumei a mesa. Mais tarde, fizemos amor e eu dormi um pouco mais confortada. Tinha sido um pouco rápido e eu o achei mais cansado do que nunca. Ainda assim, conseguiu me satisfazer e notei que ele também havia curtido.

Na sexta-feira seguinte, meu marido não voltou sozinho para casa. “Cláudia, trouxe alguém para jantar com a gente”, falou, ao chegar com Ernesto. Valcir nunca havia levado seu amigo para casa após o futebol. Eu o via na casa de Alessandra vez ou outra, mas nunca na minha. “Tem comida para nós dois?”, perguntou, esbanjando alegria. Eu sorri.

Achei engraçada a presença daqueles dois marmanjos com roupas de futebol sujas e suadas na minha sala. Havia um ar peralta no rosto dos dois, como se fossem moleques que acabaram de aprontar algo. Cheirava àquela maldita cumplicidade entre os homens que nós, mulheres, raramente conseguimos penetrar…

Eu ofereci uma toalha e Ernesto tomou um rápido banho, logo após Valcir. Cheirosos e perfumados, sentaram-se à mesa. Havia preparado uma salada verde, arroz de microondas e descongelado alguns filés de peixe. Eles devoraram tudo com um apetite voraz. Mal conseguiam falar entre uma garfada e outra! Olhando-os assim, juntos na minha frente, eu me sentia um pouco estranha. Estranha, não: eu me sentia excitada mesmo!

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