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Ed e eu

Vânia era a moça do café de uma grande emissora. Ed, o famoso ator de novelas que vivia um casamento com problemas. Uma paixão impossível surgiu entre eles

Por Redação M de Mulher Atualizado em 21 jan 2020, 12h52 - Publicado em 26 out 2008, 21h00

Ilustração: Dreamstime

Todas as vezes que ele entrava no camarim causava um alvoroço. A novela mal havia começado e Ed já tinha havia sido eleito o artista do ano, o galã mais quente da telinha e o solteiro mais cobiçado do país. Recém-chegada do Nordeste, eu ainda não estava acostumada a tudo aquilo.

Claro, já conhecia Ed de outras novelas. Quando o via na TV de 20 polegadas que minha mãe havia colocado na sala de nossa casinha simples, suspirava feito uma boba. Ora, eu até o beijava. Isso mesmo: eu beijava a tela do aparelho! Pudera: alto, moreno, sarado, olhos verdes e um ar de nobre inglês. Parecia a pessoa mais segura e charmosa do universo. Não conseguia entender onde aquele ator tão ocupado arranjava tempo para manter aquela aparência impecável.

“Vânia, você vai trabalhar na televisão, ficar perto dos artistas?!”, gritou mamãe, ao saber que uma prima me havia conseguido um emprego de copeira na emissora. Seus olhos brilharam: a filha mais velha sairia daquele sertão pobre e árido e migraria para a cidade grande, o paraíso aos olhos dos brasileiros menos favorecidos como nossa família.

Agora eu estava ali, com uma reluzente bandeja de prata nas mãos, esperando Ed. Era meu primeiro dia. “Ele gosta do café com adoçante. Ah, evite puxar conversa, senão o moço se desconcentra e fica bravo!”, advertiu-me dona Loira, a chefe das copeiras. Acatei as instruções com o desespero de quem enxergava naquele trabalho um passaporte para mudar de vida e ser feliz.

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Ed entrou no camarim e mal me notou. Um produtor da novela o seguiu até a porta, fechando-a rapidamente para que nenhuma xereta o incomodasse. Lá dentro, eu, a produtora, a camareira e o astro. “Tudo bem?”, perguntou ele, baixinho, enquanto eu estendia a bandeja de prata com uma xícara de café bem quente. Sorri. Tremia como vara verde, mas tratei de me controlar.

O galã da novela de maior audiência do Brasil havia me dirigido a palavra. Durante anos, eu acariciara o rosto dele nas revistas de fofocas, nos pôsteres… E agora estava ali, diante daquele moreno em carne, osso, músculos e tudo o mais!

“Vânia, deixe o café aí que o Ed gosta de se servir ele mesmo. Vá ver se o resto do elenco precisa de algo na copa do estúdio 3, menina!”, pediu, discretamente, a produtora. Abaixei a cabeça e pus xícara e bule sobre um móvel. “Obrigado!”, murmurou o galã, com um sorriso que faria a mais fria das pessoas se apaixonar. Olha, até se eu fosse homem, cabra macho pra valer, teria mudado de opção sexual diante daquele riso.

Fechei a porta e segui pelo corredor da emissora. Coração disparado, pernas bambas, mãos suando. Minha cabeça fervilhava de sonhos e esperanças. “Será que ele notou que estou de sutiã novo?”, perguntava para mim mesma, tocando discretamente o decote de meu uniforme. De repente… Cabrum! Distraída em meus devaneios, não havia percebido a aproximação de um rapaz com uma arara metálica cheia de figurinos. Foi bandeja, arara, roupa, tudo para o chão.

“Ai, moço, po… po… por favor, desculpe!”, gaguejei, tentando apanhar as coisas. O moreno atarracado e de sobrancelha grossa sorriu. “Se você não fosse tão bonita eu até ficaria bravo!”, disse, ajudando-me a levantar e olhando fixamente para meu colo. Ele notara o sutiã novo que eu comprara, dias antes, apenas para impressionar Ed.

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