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Casei de vermelho ao som de rap

Nunca fui fã de igreja. Se fosse para subir ao altar, teria que ser diferente

Por Redação M de Mulher Atualizado em 21 jan 2020, 12h16 - Publicado em 28 out 2008, 21h00

Minha avó foi a única que não gostou

Foto: Arquivo pessoal

Quando o Antônio Carlos pediu minha mão, avisei logo que só topava casar no religioso vestida de vermelho. Nunca fui muito fã de igreja, muito menos daqueles modelitos brancos que deixam todas as noivas iguais. Já que era pra subir no altar, eu queria ser diferente. Na igreja perto de casa, o padre foi contra o meu vestido. Me informei, então, sobre a postura da Paróquia Nossa Senhora das Graças, que é menor e fica em outro bairro. Sinal verde! Pedi às seis madrinhas pra não usarem vermelho. Branco estava liberado.

Encomendei à costureira um vestido cor de sangue com dois metros de cauda. Minha avó foi a única da família que não gostou. Segundo ela, os convidados poderiam pensar que eu não era mais virgem… Coisa de vó, né?

Antônio Carlos aceitou todas as minhas vontades. A única exigência dele foi escolher as músicas da cerimônia. Concordei com a trilha sonora de batida de rap. Ele adora! Afinal, não dava pra entrar na igreja vestida de vermelho ao som da marcha nupcial mesmo.

Finalmente, chegou o grande dia 12 de setembro de 1998. Eu já estava a postos no carro em frente à igreja quando acabou a luz no bairro. Meu pai sugeriu que eu entrasse com uma vela na mão, mas me recusei. Daquele jeito, acho que o padre iria me exorcizar.

A energia voltou a tempo de eu fazer a minha aparição. Não é que tinham trocado o padre às vésperas da missa e ele não sabia de nada?? Na hora, achei que ele cancelaria o casamento tamanha foi a cara de espanto dele.

Meu vestido fez tanto sucesso que foi alugado várias vezes pela minha costureira. Aliás, havia gente na igreja que eu nem havia convidado, mas que foi de penetra só pra me ver de noiva.

Mais de oito anos depois do meu casamento, meus amigos ainda me pedem para assistir à fita da cerimônia quando vêm na minha casa. As fotos, então, volta e meia eu tenho que levar no trabalho, porque as colegas novas não acreditam que eu tive coragem de me casar de vermelho. Pra ser sincera, de vez quando até eu me assusto com a minha ousadia…

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