Amor

Ruy Fernando Barboza responde suas dúvidas sobre relacionamentos.

Tenho 40 anos e só encontro homens interessados em sexo. Fico pensando se tomei a decisão correta ao abrir mão de uma família

Casei aos 20 anos, me desapaixonei e me divorciei logo. Nunca quis ter filhos: sempre fui uma mulher bonita e desconfio que a vaidade impediu o meu lado maternal de aflorar. Hoje, com 40 anos, só encontro homens interessados em aventuras sexuais. Fico pensando se tomei a decisão correta ao abrir mão de uma família. Tenho medo de um futuro solitário e depressivo.

Não há decisões corretas padronizadas quando se trata da vida. E a vida é nossa. Podemos, em cada etapa, tomar decisões diferentes se concluirmos que as velhas maneiras de ser não nos servem mais. Nada impede que mudemos de posição política, de religião, de estado civil. Muitas pessoas se sentem bem vivendo sós e sem filhos, e isso é, para elas, o “correto”. Por outro lado, atualmente, com a mudança do comportamento das mulheres, já há homens que se queixam da falta de parceiras para casar e ter filhos. É bem possível que você acabe encontrando um deles. Por último, não custa lembrar que hoje praticamente não há limite de idade para uma mulher ser mãe e são muitas as que estão com mais de 40, casadas ou solteiras, amamentando bebês fortes e saudáveis.

Terminei com meu namorado porque ele já participou de festas com prostitutas. É demais querer alguém que respeite meu sentimentos?

Terminei um relacionamento quando descobri que meu namorado tinha participado de uma festinha com prostitutas. O fato me deixou arrasada. Além do parceiro, perdi a confiança nos homens – embora reconheça que nem todos são assim. Por que a maioria é capaz de arriscar relações importantes por uma simples aventura? Afinal, se a farra é tão boa, qual o sentido de namorar? Estou cansada de ouvir que os “casos” não têm importância. Parece que variedade e quantidade dão mais prazer que qualidade. Aos 33 anos, continuo sonhando com uma troca afetiva mais verdadeira. Não significa necessariamente casar e ter filhos. Mas é demais querer uma criatura que respeite meus sentimentos?

É verdade que muitos namorados e homens casados têm encontros com prostitutas, e até mesmo casos extraconjugais, sem dar importância a eles. Alguns acreditam que, dessa forma, não desrespeitam sua parceira. Por outro lado, certas mulheres aceitam que o marido tenha amantes, desde que faça bem-feito para que nunca descubram! Você não é uma delas, nem quer um desses homens. Mas não ache que todos eles – e todas as mulheres – são iguais. Ferida pela decepção que acabou de sofrer, você corre o risco de se fechar nessa convicção falsa, fechando também seu coração. Isso a impedirá de deixar que outro homem prove que a ama e a respeita, caso ele surja na sua vida.

Meu namorado engordou demais. Quando reclamo, acabo o deixando triste. Como ajudá-lo?

Meu namorado era um homem lindo, mas engordou mais de 12 quilos e não consegue emagrecer. Tem 31 anos, não sofre de nenhum distúrbio, só que não se cuida. Seu único esporte é jogar bola. Quando reclamo, acabo sendo grossa e ele fica triste. Como ajudá-lo?

 

Pode ter certeza de que ele quer emagrecer, sim. Talvez sinta-se culpado por não conseguir, porque é mesmo difícil superar a compulsão alimentar – se é que é esse o caso dele. Pense nisso e coloque-se ao lado do seu namorado, não contra. Se ser grossa significa usar de ironia ou acusá-lo, por exemplo, de não ter força de vontade, você só causa mágoa e não auxilia em nada. Quando conversar com ele, fale dos seus sentimentos e das suas preocupações e seja sincera – exponha seus medos e também sua tristeza por ele estar perdendo a aparência anterior. Proponha que vocês estudem o assunto juntos e busquem ajuda especializada. Entre os profissionais de saúde, os mais indicados são os nutricionistas, que podem propiciar uma reeducação alimentar gradativa, sem pressões nem críticas destrutivas. Descobrir exercícios físicos regulares de que ele goste também não é tarefa fácil, mas, depois de um tempo de prática, o corpo pede a atividade física pelo prazer e pelo relaxamento que ela propicia.

Meu namorado é 15 anos mais novo, ainda depende dos pais e gosta de baladas. Vale a pena investir na relação?

Estou com 35 anos e namoro um rapaz de 20. Tenho minha casa, meu trabalho, sou tranquila e experiente. Ele, pelo contrário, ainda estuda, depende dos pais, gosta de baladas e é emocionalmente infantil. O maior problema: não posso ter filhos e ele sonha em ser pai. Sexualmente nos entendemos muito bem, mas temo o futuro, embora não tenha dúvida a respeito do nosso amor. Vale a pena investir nessa relação?

Cuidado: se você não pode ter filhos, corre o risco de fazer do seu namorado um filho. E, nesse caso, a relação só funcionará bem enquanto ele não se tornar adulto. Por outro lado, nada impede que a relação perdure, aparadas as evidentes arestas. O impasse sobre ter ou não filhos, por exemplo, só se resolverá se ele, de verdade, desistir de ser pai; ou se vocês, de comum acordo, decidirem adotar uma criança. Não passem por cima dessa e das outras diferenças. É provável que, dos 35 aos 50 anos, você mude muito menos do que ele dos 20 aos 35. Você, ele e o relacionamento (nessa ordem) terão de saber se adaptar a essas mudanças. Contem também com a eventual torcida contra por parte de alguns amigos e parentes, pois ainda há bastante preconceito diante da união de uma mulher madura com um jovem – e ele precisa, mais do que você, estar consciente do que quer para não se deixar influenciar.

Como amenizar as crises de ciúme do meu namorado?

Meu namorado tem uma série de sentimentos que me deixa muito chateada. Ele é ciumento ao extremo, possessivo, inseguro, tem grandes dificuldades de confiar em mim. Sempre acha que sou capaz de traí-lo e, por mais que eu diga que o amo, ele não me ouve. A insegurança fala mais alto e ele fantasia situações que não existem. O que posso fazer para tentar mudar isso nele? Já pensei em fazer terapia de casais, psicólogos. Gostaria de encontrar um meio de fazê-lo confiar em mim e parar com tanta briga. Gosto muito dele, amo demais, mas essa situação não deixa sermos felizes.
 
O máximo que você pode fazer é mostrar o quanto ele próprio sofre com suas fantasias, desconfianças e descrenças, praticamente inviabilizando o futuro da relação de vocês. É preciso que ele se convença de que o problema é dele, como primeiro passo para tornar mais promissora a relação de vocês. Um psicólogo poderia ajudá-lo, sim (em terapia individual, de preferência), tentando identificar de onde vem tudo isso (quem ele amou e que mentiu tanto para ele, quem o manipulou e traiu, seja recentemente, seja na adolescência, seja na infância), para que perceba que pode diluir todos esses fantasmas do passado e mudar. Não se submeta a ficar prestando contas do que faz, tendo de explicar cada momento de sua vida e convencê-lo da sua honestidade. Isso só alimentará o ciúme e o domínio (intencional ou não) dele sobre você. Por mais que o ame, não aceite uma relação em que você é acusada o tempo todo e fica com a responsabilidade de provar sua inocência. Isso, aos poucos, irá minando a sua energia. Quem imagina que, submetendo-se e “não dando motivo”, pode viver uma relação harmônica com um eterno ciumento, está abrindo abdicando da própria saúde. O ciúme não precisa de motivo, ele o inventa.

Meu namorado acha que eu apresso o relacionamento e eu acho que ele não quer intimidade. Quem está certo?

Tenho um relacionamento de três anos. Somos divorciados e financeiramente bem sucedidos. Só eu tenho filhos. Ele é um bom namorado, sempre atencioso e presente, mas sinto que não quer aprofundar a relação. Saímos aos fins de semana, conversamos muito e fazemos sexo. Agora, ele comprou um apartamento para nós que ficará pronto só em 2011. Morarmos juntos antes disso está fora de cogitação. Penso se isso não foi um meio de adiar um passo mais sério, ou ganhar tempo. Ele não frequenta minha casa durante a semana, pois não quer interferir no espaço dos meus filhos. Me sinto uma namorada de fim de semana, uma ótima companhia com quem ele sai, conversa e tem sexo. Quando o questiono, ele fala que não temos por que ter pressa, que nosso relacionamento tem avançado bastante e eu é que quero urgência. Que, se não é do meu jeito, fico insatisfeita, mas na realidade tem sido sempre de acordo com as necessidades dele. Quem está certo e quem está errado?
 
Ninguém está certo nem errado. Vocês apenas querem coisas diferentes. Mas é possível encontrar um ponto de equilíbrio. Numa coisa ele tem razão: não há dúvida de que você está insatisfeita. Você não acredita que ele queira aprofundar a relação, mas, admitindo às vezes a hipótese de que queira, entende que ele quer um aprofundamento muito lento para o seu gosto. São dois graus de insatisfação, portanto. É importante, em primeiro lugar, que você admita isso, para não transformar um desejo (ou um sentimento) seu numa acusação a ele. Se você acusa, o que vem de volta é uma acusação, e não uma tentativa de entendimento. É preciso conversar mais concreta e objetivamente sobre o que está ocorrendo – isso, sim, será um aprofundamento. Não é preciso duvidar do que ele diz, mas peça (e dê) mais detalhes, para que possa entender melhor o que se passa com ele (e ele com você). Quando ele afirma, por exemplo, que o relacionamento tem avançado, que coisas avançaram? Que passos novos ele entende que está havendo na relação? Ele só terá chance de provar que está sendo sincero se souber que você duvida da sinceridade dele (e vice-versa). Por sua vez, seja clara e específica no que quer. Acha fundamental que ele conviva mais com seus filhos, durante a semana? Diga com todas as letras, pois vocês podem, aos poucos, ir criando e avaliando essa convivência. Só experimentando é que se saberá como ele, você e seus filhos se sentirão. Que seja, por exemplo, um dia por semana ou por mês, no começo (vocês decidem). Mas não se esqueça de que, numa relação harmoniosa (é o que você quer, não?), não deve haver uma hierarquia, e sim um equilíbrio de satisfação das necessidades. Se, depois de tudo, ficar claro que ele não quer dar passo nenhum, e sim ser apenas seu namorado, caberá a você avaliar se quer continuar com ele ou prefere tentar uma nova relação.

Meu amor quer ter um relacionamento aberto. Devo topar?

Estou apaixonada por um homem que, assim como eu, já foi casado, sofreu muito e agora está querendo um novo amor. O problema é que, apesar de querer se casar comigo, ele também quer um relacionamento aberto, no qual sairíamos com outras pessoas. Ele diz que se enjoará de mim rapidinho se não for um casamento picante. Não concordo, pois gosto de fidelidade. Devo topar essa condição e esquecer meus princípios ou será que ele pode me aceitar do jeito que eu sou?

O fato é que um dos dois terá de mudar de opinião. De qualquer forma, o importante é que a mudança não seja da boca para fora. De nada adiantará ele aceitar ter um casamento tradicional com você só porque a ama, e ficar se esforçando para ser fiel, vivendo infeliz, com o conflito de querer ter outras relações. Também não será saudável você, por amor, aceitar sair com outros homens e que ele saia com outras mulheres, se isso a fizer sofrer. Qualquer uma das formas tende a ter vida curta, ou fazer um dos dois eternamente infeliz, como ocorre com muitos casais. Para ter maior segurança de que o casamento será estável, o ideal é que vocês tomem a decisão depois de um diálogo sincero e profundo. Mas não dialoguem para que um “ganhe” do outro. É preciso que um ouça atentamente a história e os sentimentos do outro, além de todas as razões porque pensa da forma que pensa e deseja o que deseja. E ouça com a disposição de aceitar (mesmo que, em princípio, não concorde) que o outro pense como pense. Cada um deve também, antes de expor o ponto de vista contrário, demonstrar que entendeu e pode reproduzir os raciocínios do outro, a ponto de o outro concordar com essa reprodução. Dialogando dessa forma, é bem possível que, quando menos se esperar, um dos dois mude a forma de pensar e aceite, pelo menos, experimentar o que o outro propõe. E assim estarão unidos no caminho escolhido, sem se envolver numa batalha. Mesmo porque se for uma batalha, quem perde é o casamento, fechado ou aberto.

Meu namorado me dá amor, mas não faz carinho. Há como mudar isso?

Na casa do meu namorado, sexo e amor são assuntos tabus. Ele acha que demonstrar afeto é sinal de fraqueza e que se ele fizer isso vou acabar abusando e talvez traí-lo. Quando reclamo da falta de carinho, diz que é coisa da minha cabeça e que eu deveria gostar dele do jeito que é. Eu gosto, mas não me sinto amada quando não sou acariciada.  Não sei como agir.

Infelizmente, não há muita coisa que você possa fazer. A dificuldade, e mesmo, muitas vezes, a impossibilidade de expressar afeto são o padrão de muitas famílias. Há mesmo pessoas que, tendo sido criadas nesse padrão, se orgulham desse comportamento e o valorizam como indicativo de força e caráter, recusando-se a mudar e imaginando que a mudança indicaria uma traição a princípios que devem orientar suas vidas. Mesmo você sabendo o quanto seria gratificante para ele mudar esse modo de pensar e experimentar outras maneiras de ser, vai depender dele. Converse sobre o assunto, tentando demonstrar que essas idéias fazem parte da herança cultural dele e que podem ser modificadas, para que ele tenha uma vida mais prazerosa. Ao mesmo tempo, diga claramente que você sente necessidade de afeto e de ser tocada, e não aceite que isso seja objeto de acusações e condenações injustas. Finalmente, é importante que você saiba que, a permanecer esse descompasso tão grande entre vocês, o relacionamento não é nada promissor, e que, se ele não mudar, você nem deve pensar em casamento, pois, em poucos anos, seria insuportável a convivência – e, sem que você o acuse pela maneira de agir e pensar, é preciso que isso seja comunicado a ele, com todas as letras.

O que faço para descobrir o que há entre ele e a mãe do filho dele?

Namoro um homem doze anos mais velho. Nós nos damos bem, mas ele mora com seu filho e a mãe do garoto. Garante que ela não é mulher dele e me deu o telefone de lá, mas se ligo, me atende com frieza. Quando estamos juntos e alguém liga no seu celular, diz que está com uma amiga. O que faço para descobrir o mistério sem forçá-lo a nada?
 
Descreva a ele o modo como atende o telefone quando você liga, para que possa explicar a você o que acontece. Diga também que não está conseguindo entender que tipo de relação mantém com a ex – pergunte se você não pode ir conhecer o filho dele, por exemplo e, se não pode, por quê. É possível quer ele esteja com dificuldade para falar com uma namorada na presença do filho, ou mesmo na presença da mãe do filho, talvez por não querer magoá-la. Diga como se sente quando ele atende o celular e se refere a você como amiga. Se você não tiver dele respostas para essas perguntas, não tem como descobrir o “mistério”, e nem mesmo saber se ele a considera uma namorada de verdade. Perguntar essas coisas não será forçá-lo a nada, e sim exercer seu direito de saber em que chão, afinal, está pisando. Do contrário, você estará permitindo que se crie na relação uma grande desigualdade de direitos e deveres, que a longo prazo a tornará insuportável.

Devo trocar meu marido por um velho amor que agora reapareceu?

Seis meses após me casar, reencontrei um ex pelo qual fui apaixonada e acabamos ficando. Propôs um relacionamento sério e não tive coragem de contar que me casei. Ele mora a 500 quilômetros, mas me liga todo dia. Percebi que ainda sou apaixonada por ele e não tanto pelo meu esposo.
 
Não há por que duvidar de que o seu ex está a fim de você. Mas, e você? Estaria mesmo apaixonada, ou apenas está vaidosa por ele ter voltado com tanto ímpeto? Além disso, seria bom analisar melhor a maneira como tem trilhado seus caminhos amorosos. Por exemplo, o que a levou a casar-se. Se seis meses depois você “ficou” com um ex-namorado, talvez o casamento não tenha sido uma decisão suficientemente madura. E talvez você esteja tendo a mesma atitude ao pensar em deixar seu marido, por não ser “tão” apaixonada por ele quanto acha que é pelo ex. Para evitar novas indecisões e impasses no futuro, vale a pena aprofundar essas questões. Tente também descobrir o que gerou o fim do seu relacionamento com o ex. Pense ainda nas razões por que nem sequer disse a ele que está casada, embora ele lhe proponha um relacionamento sério – supostamente, com vistas a se casarem no futuro. Em resumo, parece que você vem lidando de maneira um tanto infantil com sua vida amorosa. Se conseguir refletir mais seriamente sobre as perguntas acima, talvez se torne mais fácil fazer uma escolha mais adulta – ficar com o marido, com o ex, ficar só, ou dar-se um tempo para sentir e pensar, até poder decidir com mais segurança.

Como supero minha paixão por alguém que só quer sexo?

Há dois anos e meio sou apaixonada por um rapaz que só lembra de mim para transar. Nesse tempo, ele já teve três namoradas fixas e continuou me encontrando, dizendo que sente saudade e adora fazer amor comigo, mas não me assume como namorada, talvez por preconceito por eu ser negra. O que faço, se o amo?

Seja por preconceito ou por que razão for, o fato é que ele não a quer como namorada. Com você ele só quer sexo. Isso não quer dizer que ele não possa mudar. Mas essa mudança não ocorrerá enquanto você não parar de se submeter a ele, sem dizer o que quer e quais são os limites que impõe à relação. Se você quer um namoro, e não apenas sexo, é a você que cabe dizer isso. Mas analise bem o que quer, para não ter de voltar atrás depois, pois não se trata de um jogo, e sim de por em xeque o relacionamento – seja para que se aprofunde, seja para acabar com ele e você possa cuidar melhor de si mesma. É preciso que você esteja convencida de que prefere ficar sem ele do que ser apenas sua companheira de cama. E saiba que será inevitável um período de dor, de sentimento de rejeição e abandono, pois não existe perda sem luto, sobretudo no amor. Mas será uma dor de crescimento, que a tornará mais forte e assertiva numa próxima relação.

Meu namorado não consegue expressar emoções. Como amenizar este problema?

Tenho um relacionamento de mais de um ano e achava meu namorado muito frio, até que ele foi diagnosticado como alexitímico -- não consegue expressar suas emoções e sensações corporais. Como amenizar este problema?

A dificuldade de seu namorado, na verdade, vai além da impossibilidade de expressar emoções. O alexitímico não consegue sequer perceber e identificar suas sensações corporais, emoções e sentimentos. É um traço de personalidade que dificilmente pode ser trabalhado sem ajuda profissional e, de preferência, pelas chamadas terapias diretivas – aquelas em que o psicoterapeuta faz mais do que ouvir o paciente, propondo práticas, exercícios, relaxamentos, trabalhos de imaginação ativa, fantasias dirigidas, meditações, desenhos e outras técnicas expressivas etc.. Em abordagens como a gestalterapia, as psicoterapias reichianas e também na terapia cognitiva, essas técnicas são utilizadas para que, aos poucos, o paciente desenvolva uma consciência do que ocorre no seu corpo, e depois, através de exercícios expressivos, aprenda a manifestar os sentimentos percebidos. Gradativamente, poderá perceber-se triste e chorar, identificar sua raiva e protestar, deixar aflorar sua alegria e gargalhar – ao invés de apresentar dores e mal-estares por causa dos conflitos que havia em seu organismo. Há quem acredite que trabalhos corporais como massagens, yoga ou exercícios, tão somente, amenizem a alexitimia, mas, se não houver uma elaboração mais aprofundada do que é mobilizado por essas práticas, conduzida por um psicoterapeuta, o paciente não progride.

Quem vai querer uma mulher ansiosa como eu?

Sofro muito com minhas expectativas românticas. Mal conheço um rapaz e já me imagino namorando. Só depois constato que é atencioso com todas. Apesar de anos de terapia, estou sempre imaginando mais do que realizando, o que faz com que meus desejos se transformem em frustrações. Que homem vai querer uma mulher como eu?

Talvez você se surpreenda com a afirmação de que muitos homens agem exatamente como você, com os mesmos resultados. O que acontece, provavelmente, é que você valoriza excessivamente sua necessidade de ter alguém e centra demasiada energia nisso. O resultado é uma ansiedade muito grande, que interfere nos seus relacionamentos, impedindo que eles tenham seu curso natural. Essa perturbação pode levá-la ora a retrair-se, ora a se entregar sem limites, confundindo o provável futuro parceiro. Procure dirigir sua energia a outros interesses e buscar sua realização pessoal na melhoria de outros aspectos de sua vida, buscando conhecer lugares, aperfeiçoar-se profissionalmente, cuidar do seu corpo e de sua saúde, viajar, sem esperar, nessas atividades, encontrar um parceiro, e sim conhecer pessoas com quem possa se identificar, falar de seus sentimentos e trocar experiências que a enriqueçam. Quando você menos esperar, tendo baixado sua ansiedade e harmonizado sua energia, é possível que o moço apareça e você possa agir com mais naturalidade à aproximação dele.