Por que as mulheres grávidas choram tanto?

O choro faz parte da gravidez, e os hormônios não são os únicos culpados por isso, o medo da mudança e outros dilemas de mãe ajudam a deixar a sensibilidade à flor da pele

Todas as futuras mães enfrentam questionamentos
Foto: Getty Images

São raras as mulheres que não se pegam chorando pelo mais banal dos motivos durante a gestação. Mas será que é tudo culpa dos hormônios? Em grande parte, sim! “Se muitas mulheres já ficam irritadas e sensíveis antes da menstruação, imagine na gravidez, quando há uma elevação brusca dos níveis de estrogênio e de progesterona”, diz Luiz Fernando Dale, ginecologista e especialista em reprodução humana, do Rio de Janeiro. Esses dois hormônios, que ficam elevados até o nono mês, são capazes de sensibilizar até a mais durona das grávidas. “É imprevisível como cada uma vai se comportar”, afirma Rosa Maria Neme, ginecologista de São Paulo. Mas quem disse que chorar é sinal de algum problema?

Assim como qualquer mudança importante na vida (casamento, divórcio, troca de emprego), gerar um filho traz à tona uma avalanche de sentimentos – e isso é bom. Todas as futuras mães enfrentam questionamentos, que vão do universo prático (“Com quem meu filho vai ficar quando eu voltar ao trabalho?”) ao emocional (“Será que meu pequeno vai sofrer as mesmas desilusões que eu?”), afirma a psicóloga Cynthia Boscovich. Com a sensibilidade aguçada, a grávida volta-se para si, para as próprias emoções e para a barriga que cresce. É assim que você se conecta com o bebê que vem aí e cria disposição para cuidar de outro ser humano, como explica a psicóloga argentina Laura Gutman, autora do livro A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra (Best Seller). A natureza é sábia. Entregue-se a ela e deixe as lágrimas rolarem.

Como o bombardeio hormonal aguça sua sensibilidade a cada etapa da gravidez

Primeiro trimestre

Desde as primeiras semanas, os níveis de estrôgenio e progesterona, dois dos principais hormônios da gestação, começam a subir. Responsável por relaxar o útero (evitando contrações que expulsariam o embrião) e pelo aumento da vascularização da região, a dupla causa oscilações de humor e contribui para o aparecimento de enjoo, sonolência, tontura e cólica. Quem consegue se manter zen com tudo isso? “É um período de mudanças corporais intensas, e a grávida fica muito sensível nos primeiros três meses”, confirma o médico Rogério Leão, do Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia, em São Paulo.

Segundo trimestre

Entre a 20o e a 24o semana, os hormônios chegam ao topo e se estabilizam. “Começa aí uma fase mais tranquila, em que a mulher se sente ativa e bem-disposta”, diz Rogério. Conforme a barriga cresce, porém, a tendência é que questões práticas passem a torturar a futura mãe: tenho estrutura financeira para receber um bebê? Minha carreira aguenta o baque da licença? O plano de saúde vai cobrir se houver algum imprevisto? São preocupações importantes, mas que ficam superdimensionadas devido à delicadeza do momento.

Terceiro trimestre

A carga hormonal está nas alturas e a ansiedade começa a apertar à medida que o parto se aproxima. Sem falar no desconforto – a barriga pesa, os pés incham, as costas doem, dormir é difícil… O resultado você pode prever: cansaço e irritabilidade com grande possibilidade de lágrimas.

Pós-parto

Diferentemente do que muita mãe de primeira viagem imagina, em vez de extrema felicidade, é bastante comum se sentir triste depois de dar à luz. “Há uma queda bruta e repentina de progesterona, o que pode causar melancolia”, explica Rosa Maria Neme, ginecologista do Centro de Endometriose São Paulo, em São Paulo. É o baby blue, tristeza que aparece entre o terceiro e o décimo dia após o parto e acomete 80% das gestantes. Mas, se essa emoção persistir por mais tempo, vale conversar com o médico.
 

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