Brasileira cria teste que diagnostica o HIV em tempo recorde

O teste criado por Priscila Kosaka e um time de pesquisadores espanhóis permite detecção da doença na primeira semana de infecção

Uma cientista brasileira criou um novo teste que pode revolucionar o diagnóstico de HIV. Priscila Kosaka e um time de pesquisadores do Conselho Nacional de investigação da Espanha (CSIC) desenvolveram um biossensor que pode detectar o vírus da Aids ainda na primeira semana de infecção.  

O exame tradicional é geralmente feito após um mês da situação de risco, como sexo desprotegido ou compartilhamento de agulhas. A espera se deve ao tempo que o corpo leva para produzir os anticorpos que são detectados no exame.

A nova tecnologia antecipa o diagnóstico e, consequentemente, o tratamento antirretroviral, essencial para impedir a disseminação do HIV para outras pessoas . “Logicamente, a detecção também é crítica para a prevenção da transmissão do HIV”, disse a cientista para a EXAME.com.

Há duas maneiras de detectar o HIV no sangue. A primeira é a partir da identificação do RNA viral em uma concentração que pode ser encontrada duas semanas após a infecção. Apesar de muito sensível, esse exame é extremamente caro.

A segunda técnica consiste em detectar uma proteína do HIV-1, a p24, quando ela alcança 10 picogramas por mililitro de sangue. Essa concentração pode ser atingida aproximadamente entre três e quatro semanas após a infecção. O que Kosaka e os pesquisadores fizeram foi aprimorar esse último teste.

Leia também: Vacina contra HIV será testada em humanos pela primeira vez 

No exame, o soro (material obtido a partir da coagulação do sangue) é depositado no biossensor, que já está preparado para encontrar qualquer partícula de proteína p24. “O sensor é como um trampolim de piscina. Ele vibra com uma determinada frequência quando há algo sobre ele”, explica Priscila Kosaka, em entrevista a EXAME.com. Desse modo, é possível medir a massa das proteínas.

Em seguida, nanopartículas de ouro são colocadas sobre o sensor. “Elas possuem ressonâncias ópticas que fazem as proteínas brilharem”, diz Kosaka. De acordo com a cientista, a combinação da estrutura mecânica do biossensor com as nanopartículas de ouro faz com que o exame seja 100 mil vezes mais sensível à proteína p24 do que o teste tradicional. “A especificidade é tão alta que a taxa de erro é quase mínima.”

Leia também: 13% dos portadores de HIV são mulheres, segundo pesquisa 

Todo esse processo leva menos de cinco horas e os resultados clínicos podem ser obtidos no mesmo dia.

Além da detecção do HIV, o biossensor também pode ser aplicado no diagnóstico precoce de certos tipos de câncer, como leucemia mielóide, câncer de pulmão e de mama.

Mercado

Antes de chegar ao mercado, a tecnologia ainda precisa ser validada com amostras humanas. “Iniciaremos os estudos clínicos e esperamos que até o final deste ano possamos aprovar o uso do sensor em amostras humanas.”

Depois dos testes clínicos, é preciso esperar a aprovação de leis da Europa e dos Estados Unidos. O biossensor já foi patenteado pelo Conselho Nacional de Investigação da Espanha e está licenciada a uma empresa.

Comentários
Deixe uma resposta

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s