Mulheres organizam manifestações por justiça a Mayara Amaral

Atos estão marcados em pelo menos quatro capitais, incluindo São Paulo

Acontece nesta sexta-feira (4), em São Paulo, o ato Nós por Nós – ato contra o feminicídio e em memória de Mayara, em protesto pelo assassinato da musicista Mayara Amaral e pela forma como o crime tem sido tratado pela polícia e pela imprensa.

Leia mais: Três homens contra Mayara Amaral. Ela está morta. Carbonizada

Mayara Amaral foi morta por três homens – um deles integrante de uma mesma banda que ela – com golpes de martelo na cabeça. Luis Alberto Barros, 29 anos, Ronaldo Olmedo, 33 anos, e Anderson Pereira, 31 anos, estão presos. De acordo com o relato da irmã da vítima, Pauliane Amaral, Mayara estava apaixonada por Luis. Ele afirmou ter atraído Mayara para o motel na noite de segunda (24) e ter praticado relações sexuais com ela, assim como Ronaldo.

O crime aconteceu no quarto do motel e os fatos levam à suspeita de estupro da vítima. Seu corpo foi carbonizado, restando apenas a mão para reconhecimento do corpo. Os assassinos dividiram entre si os pertences da vítima: um carro modelo Gol de 1992, um violão, um celular e um notebook.

A polícia investiga o crime como latrocínio – roubo seguido de morte -, ainda que dois dos criminosos tenham mantido relações sexuais com a vítima na noite do assassinato, ainda que se tratasse de um parceiro afetivo, ainda que ela tenha sido morta violentamente – características do feminicídio, que mata uma mulher a cada hora e meia no Brasil.

A dissertação de mestrado de Mayara foi sobre mulheres brasileiras que compuseram para violão erudito nos anos 1970 (Reprodução/Facebook)

Organizações da sociedade civil, familiares e mulheres defendem a tipificação correta do crime por uma série de motivos. Entre eles está a necessidade de manter as estatísticas oficiais próximas à realidade, permitindo que os debates e as políticas públicas em torno da violência contra a mulher possam ocorrer com base em dados sólidos. Outra razão diz respeito ao rompimento com a resistência de membros do poder público, como delegados e policiais, em compreender e tipificar o crime como feminicídio, que caracteriza o assassinato da mulher pela condição do gêneroprevisto por lei desde março de 2015.

Embora o latrocínio seja a infração mais grave na legislação penal em vigor – priorizando o patrimônio em detrimento da vida -, com pena mínima de 20 anos de reclusão ante os 12 anos mínimos do crime hediondo de feminicídio -, enquadrar o crime corretamente é também uma questão de justiça à vítima e sua memória. Mayara Amaral não foi assassinada por possuir um carro velho, um instrumento musical e dois aparelhos eletrônicos. Ela foi morta por ser uma mulher – jovem, bonita e talentosa.

Professores e pesquisadores de violão da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) assinaram um manifesto em defesa de Mayara e de todas as mulheres vítimas de violência, em que se lê: “Mayara se foi, mas sua vida e sua morte nos mostra de modo cristalino a necessidade de aprofundar o debate sobre o feminicídio e sobre a cultura machista em nosso meio“.

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Manifestações estão marcadas em São Paulo, Goiânia, Natal, Curitiba, Rio de Janeiro e devem surgir em outras cidades. Amigos e familiares homenagearam Mayara com música e afeto na missa de sétimo dia da violonista em Campo Grande, na última segunda-feira (31). Em São Paulo, o ato acontece na sexta-feira (4), a partir das 17 horas, no Museu de Arte de São Paulo (Masp). 

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