Mulheres da semana

O que fizeram Claudia Leitte, a ex de FHC, a deputada Manuela D’Avila, as torcedoras do Atlético Mineiro, a pianista Eliane Elias, a filha de Glauber Rocha e as mulheres do cárcere privado?

Sou corintiana doente. Mesmo sem saber a escalação do time. Paixão não se explica. Passando a ponte do Rio Grande, indo para a casa de minha mãe, em Minas, o coração muda a chave, meu sotaque fica mei lentin e cantadin, aí me assumo cruzeirense. Nesta semana, porém, me abraço às mulheres-galo. As atleticanas bateram um bolão contra o machismo do time, que lançou o novo uniforme dos jogadores com modelos desfilando só de calcinha e camisa. Alice Quintão Soares e Roberta de Oliveira, que encabeçam o protesto, denunciam: o episódio materializa o desprezo da diretoria para com as torcedoras que lotam o estádio. E aproveitam para exigir mais mulheres nos departamentos do clube e na tomada de decisões. Boa!

 

Esta semana foi também de holofotes sobre a jornalista Mirian Dutra, que manteve uma relação amorosa com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, enquanto ele era casado com dona Ruth. Para não morrer deixando o segredo na tumba – como Mirian declarou a Natuza Nery, da Folhas de S. Paulo –, ela resolveu contar que abortou dois filhos a pedido de FHC e em procedimentos pagos por ele. E que também recebia dinheiro vindo da empresa  Brasif S.A Exportação, que ajudava FHC. Ele negou a ajuda. Mirian tem um filho, Tomás, com o ex-presidente.

 

 

Claudia Leitte foi alvejada nas redes sociais por ter conseguido autorização do Ministério da Cultura para captar 356 mil reais e publicar sua biografia com fotos e letras de música. O dinheiro cobriria os custos de uma tiragem de 2 mil exemplares. Pouquinho, né? A polêmica surgiu porque o Tribunal de Contas da União decidiu, logo depois, que recursos da lei Rouanet não devem mais ser aplicados em projetos com potencial lucrativo. Tá certo: a rainha do axé, com o sucesso que faz, não precisa da grana que falta aos jovens músicos, cineastas, atores… Saiu na imprensa que o ministro Juca Ferreira vai vetar o projeto da baiana.

 

Continuou rendendo a foto que a deputada estadual Manuela D’Avila (PC-doB) publicou nas suas redes sociais. Ela amamenta a filha, Laura, e, claro, o seio está à mostra. Ligeiramente à vista, diga-se de passagem. A patrulha mofada censura: “Onde já se viu uma deputada ficar com o peito de fora … ti-ti-ti, ti-ti-ti!” A parlamentar respondeu a alguns machos que a criticaram: “Mulher pelada em propaganda de cerveja pode, né?”

 

Nesta semana apareceram provas contra o Policial Militar fluminense que deu dois tiros na ex-mulher, na frente da filha deles, de 5 anos. O PM ainda atingiu um vizinho, roubou um carro, fugiu. Mas alegou ao delegado, que tudo ocorreu enquanto vivia “um surto”, e não se lembra de nada. Deve ser processado, entre outras broncas, por feminicídio.

 

Ava Rocha fará show no Museu da Imagem e do Som, em Sampa, nesta sexta. ADORO! Essa filha de Glauber Rocha, de nome Ava Patrya Yndia Yracema, vai misturar no palco MPB com grooves afros. Ela tem muita personalidade, uma voz estranha e linda. Ninguém interpreta Pra Dizer Adeus como ela.

 

O vigilante Tiago Rocha, 27 anos, apontado pela polícia de Goiânia como um suposto serial killer, foi condenado a 20 anos de prisão pelo assassinato de Ana Karla Silva, de apenas 15 anos. Ele seria o responsável pelo assassinato de 35 pessoas da capital goiana. A maioria eram mulheres.

 

Orgulho de Eliane Elias, quase uma desconhecida no país. Recebeu o Grammy por colocar na praça o melhor álbum de jazz latino, Mad In Brazil. É paulistana, aos 13 anos começou a estudar com Amilton Godoy, do Zimbo Trio. Tem mais de 20 discos gravados. Compõe e canta. Vive nos Estados Unidos há 3 décadas. No trabalho vencedor gravou Garota de Ipanema.

 

Shuma Schumaher e Antonia Ceva lançaram o livro Mulheres no Poder – Trajetórias na política a partir da luta das sufragistas do Brasil

O quarto de Jack estreou  com cara de Oscar. Dizem que a atriz Brie Larson arrebata a plateia. Quero muito ver. De Lenny Abra Hamson, o filme conta a história de uma mulher que está trancada há sete anos, é mantida refém pelo homem que a estupra e com quem tem um filho. Isso me faz lembrar que em 2010, no Brasil, havia pelo menos 400 mulheres vivendo em cárcere privado. De lá pra cá, nenhuma palavra das autoridades sobre elas. Nenhuma apuração sobre os casos. Nenhum punido. Alguma conseguiu escapar? E a denúncia é procedente, feita por Nilcéa Freire, então ministra das Mulheres.

 

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