Conheça a jovem adolescente que luta contra o casamento infantil

Pela causa, Omaima Hoshan organiza workshops com a participação das garotas e seus parentes para explicar as consequências do matrimônio precoce, que ainda contam com sessões interativas de conscientização e encorajamento para que elas não abandonem os estudos.

Apenas no Brasil, 554 mil meninas – com idade entre 10 e 17 anos – são casadas, segundo dados divulgados pelo Instituto Promundo, em setembro de 2015. Este quase meio milhão de quase-mulheres brasileiras faz parte da assombrosa totalidade de 66 milhões de garotas que deixaram as salas de aula para assumir o matrimônio precoce, no mundo inteiro. 

Se para nós, o casamento infantil já é um tema difícil de lidar pela sua gravidade, imagine em um dos maiores campos de refugiados sírios? E por incrível que pareça, não é tão difícil assim quanto parece. Pelo menos não para uma jovem de 15 anos chamada Omaima Hoshan, que ministra workshops para conscientizar meninas da sua faixa etária a não se casarem – uma tarefa fundamental em um lugar onde o estupro é considerado uma tática de guerra

Annie Sakkab/Acnur

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Omaima é vista sempre acompanhada de um grupo de garotas e seus parentes perambulando pelo campo de refugiados Zaatari, localizado na Jordânia. Desde que a guerra civil assolou a Síria, mais da metade da população do país foi forçada a deixá-lo, tornando-se refugiados. Por isso, a pobreza e a insegurança são fatores que agravam a vulnerabilidade social dessas jovens – o que acaba aumentando drasticamente as chances de que elas se casem muito novas. 

A situação é tão grave que dos 1 milhão e 300 mil refugiados sírios que residem na Jordânia, 32% se casaram antes de completarem 18 anos. E aqui se inclui a melhor amiga de Omaima, que teve sua infância arruinada por ter sido obrigada a se casar quando tinha apenas 13 anos. Esta, certamente, foi uma das maiores motivações para que a jovem refugiada continuasse lutando contra o casamento infantil

Annie Sakkab/Acnur

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Pela causa, a pequena organiza workshops com a participação das garotas e seus parentes para explicar as consequências do matrimônio precoce, que ainda contam com sessões interativas de conscientização e encorajamento para que elas não abandonem os estudos. “Essas oficinas ajudam os pais e as próprias jovens a construírem seu futuro”, declarou ela sobre seu trabalho ao portal internacional Ary News.

A linguagem, os desejos, os objetivos e a coragem de Omaima fazem com que as refugiadas daquele campo se identifiquem muito com ela – que mesmo em condições precárias de sobrevivência, continua lutando pelos direitos das mulheres, assim como faz Malala Yousafzai, uma de suas maiores inspirações. “As meninas do meu país têm seu futuro perdido ou destruído, e isso é algo que eu não posso aceitar. Eu preciso lutar pelos nossos direitos”, finalizou a pequena que pretende se casar depois de terminar seus estudos universitários.

Annie Sakkab/Acnur

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