15 livros da literatura africana, latino-americana e asiática

Conheça nomes importantes da literatura internacional e, com eles, um pouco da realidade das pessoas que vivem em outros continentes

É possível viajar sem sair de casa, se familiarizar a outras culturas mesmo quando a conta bancária ou o tempo não permitem viagens ao exterior – e esses livros são provas disso. Para essa lista, pesquisamos a obra de escritoras e escritores relevantes no continente africano, asiático e latino-americano.

Como toda lista, ela deixa de fora itens adoráveis e interessantes, e deixamos o convite para que continuem a pesquisa além daqui. Selecionamos, contudo, deliciosas oportunidades de passear por outras paisagens e sociedades, na toada das narrativas. Mais do que nunca: boa viagem!

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ÁFRICA

1. Americanah (Chimamanda Ngozi Adichie)

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(Divulgação)

Enfrento agora o desafio de falar sobre um dos livros de que mais gostei na vida. Americanah nos confronta constantemente com nossos privilégios, seja como ocidentais, mulheres brancas ou pessoas com acesso fácil à educação. A personagem Ifemelu dá voz a conflitos existenciais que dizem muito de nosso tempo, hiper globalizado e com requintes de hipocrisia: como considerar normais os hábitos de uma elite intelectual que se quer o tempo todo sofisticada, depois de ter vindo de origens humildes?

Americanah é a história de uma nigeriana que vai para os Estados Unidos, com toda a semelhança que isso guarda em relação à trajetória da própria autora. Chimamanda é uma das escritoras mais importantes da contemporaneidade, em plena produção e publicização de artigos, palestras, campanhas e novos livros.

Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie
R$57,90 – Companhia das Letras

2. Niketche (Paulina Chiziane)

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Paulina Chiziane foi a primeira mulher moçambicana a publicar um romance. Nascida em uma família simples, Chiziane é neta de uma contadora de histórias e herdou da avó o talento narrativo, nos envolvendo e encantando. Sua literatura traz suas raízes culturais e a vida cotidiana de Moçambique.

Niketche conta a história do policial Tony e de sua esposa Rami, casados há 20 anos. Por acidente, Rami descobre que Tony é poligâmico, possui mais quatro esposas e filhos espalhados pelo país. Ela decide ir até essas mulheres, realizando uma incursão pelo desconhecido, pelo novo, pelo que há a ser desbravado. Niketche é o nome de uma dança do norte de Moçambique, um ritual de amor e erotismo.

Niketche, de Paulina Chiziane
R$ 59,90 – Companhia das Letras

3. O melhor tempo é o presente (Nadine Gordimer)

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Esse romance foi publicado no Brasil no ano da morte de sua autora, 2014. Nadine Gordimer foi uma das vozes mais importantes contra o apartheid da África do Sul e vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 1991. Seus mais de 30 livros tem sempre a desigualdade racial e os desafios vividos pela África do Sul como pano de fundo, dando forma à vida tanto de vítimas quanto de algozes.

Gordimer foi amiga próxima de Mandela e não deixou de escrever mesmo após o fim do regime de segregação racial. Nesse livro, os outrora amantes clandestinos Jabulile Gumede, mulher negra, e Steve Reed, homem branco, podem finalmente viver, amar e ter filhos em liberdade democrática. Os conflitos de agora são outros, tratados de forma contemporânea e atemporal pela brilhante escritora.

O melhor tempo é o presente, de Nadine Gordimer
R$ 64,90 – Companhia das Letras

4.  Os Transparentes (Ondjaki)

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(CLAUDIA)

O escritor angolano Ondjaki recebeu por este livro o Prêmio Literário José Saramago, o mais importante da língua portuguesa. A história se passa em Luanda, capital de Angola, e traz personagens criados em densidade, complexidade e riqueza humana. Odonato, Xilisbaba, Amarelinha, AvóKunjikise e MariaComForça moram em um edifício no LargoDaMaianga, no centro; o VendedorDeConchas, o Cego e o Carteiro passam eventualmente por ali, a nos despertar curiosidade e envolvimento.

São jovens que fizeram a transição entre o tempo de guerra e a paz de agora, trazendo lembranças sombrias e planos para futuros brilhantes. A narrativa nos permite experienciar a vida dentro de uma grande cidade africana, com sua teia de relações urbanas, familiares, coletivas e individuais.

Os Transparentes, de Ondjaki
R$ 52,90 – Companhia das Letras

5. Os Pescadores (Chigozie Obioma)

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Os pescadores foi publicado no Brasil em 2016, depois de ter os direitos de tradução negociados em mais de 22 idiomas. Chigozie Obioma é nigeriano e atualmente mora nos Estados Unidos, lecionando Literatura na Universidade de Nebraska-Lincoln.

O romance é resultado das diversas fontes de onde Obioma bebe: as tragédias gregas, as histórias ibo tradicionais, clássicos ocidentais e autores nigerianos fundamentais. Ao pescar tranquilamente em um rio com fama de amaldiçoado, a família Agwu recebe uma trágica profecia do místico Abulu. Dali em diante, juntamente à democracia da Nigéria, a família inicia sua derrocada.

Os Pescadores, de Chigozie Obioma
R$39,90 – Globo Livros

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AMÉRICA LATINA

6. A pele do céu (Elena Poniatowska)

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(Divulgação)

Nascida em Paris, Elena Poniatowska mudou para o México aos 10 anos e lá vive até hoje. A autora ganhou o Prêmio Miguel de Cervantes, o mais notório da língua espanhola, em 2013. Em A pele do céu Poniatowska nos apresenta o interessante Lorenzo de Tena, astrônomo cuja paixão pela ciência foi instigada desde os primeiros anos de vida, com a mãe camponesa a lhe explicar sobre a pasteurização do leite, constelações e outros mistérios.

Conhecemos a zona rural mexicana ao visitar as memórias de infância de Lorenzo, assim como a vida urbana contemporânea, onde ele conhece a figura de Fausta, uma moderna neo-hippie bissexual que o convida à vida para além da ciência pragmática.

A pele do céu, de Elena Poniatowska
R$ 52,90 – Editora Objetiva

7. O livro dos abraços (Eduardo Galeano)

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(Divulgação)

O escritor uruguaio falecido em 2015 trazia consigo um sonho: o de tornar pequenas histórias em histórias notáveis, o que elas de fato são. Para Galeano, os fatos da humanidade não são os da história oficial, mas da vida que se desenrola a despeito de tudo.

No célebre As veias abertas da América Latina, publicado originalmente em 1971, Galeano embrenha as trajetórias políticas dos países latino-americanos, discutindo imperialismo, capitalismo e subdesenvolvimento. Em O livro dos abraços, no entanto, lemos os casos de um caçador incessante da matéria humana; de um ouvinte atento, sensível e poroso ao outro. Uma leitura tenra e delicada, indicada para aquecer esperanças e afetos.

O livro dos abraços, de Eduardo Galeano
R$ 24,90 – L&PM Pocket

8.  O corpo em que nasci (Guadalupe Nettel)

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(Divulgação)

Um dos grandes nomes da literatura mexicana contemporânea, Guadalupe Nettel borra, neste livro, a fronteira entre ficção e autobiografia. A personagem principal nos narra sua história a partir do divã de um analista, começando em uma infância difícil e caminhando pelas vias da aceitação de si mesma.

Ela possui um problema no olho direito, que faz com que tenha que carregar um tampão, uma visão borrada e os comentários maldosos de quem a rodeia. A história incorpora a vizinhança, repleta de argentinos e chilenos exilados de ditaduras militares, e os pais da criança, honestos demais para sua pouca idade. O corpo em que nasci é uma narrativa sobre aceitação, real porque escrita.

O corpo em que nasci, de Guadalupe Nettel
R$ 34,50 – Editora Rocco

9.  Meu país inventado (Isabel Allende)

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(Divulgação)

Nascida em Lima, no Peru, em 1942, Isabel Allende escreve desde os 17 anos e teve seu primeiro romance de sucesso publicado em 1982, o premiado A casa dos espíritos. Assim se consolidou como um dos nomes mais importantes da literatura latinoamericana e segue produzindo e publicando romances, ficções, thrillers e memórias. Em Meu país inventado, Allende retoma suas lembranças do Chile, onde se criou. Sua história embrenha-se à história do país, com humor e inteligência ressaltados.

Meu país inventado, de Isabel Allende
R$49,90 – Editora Bertrand Brasil

10. Doze contos peregrinos (Gabriel García Marquez)

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(Divulgação)

Nesta coletânea de contos, o consagrado escritor colombiano Gabriel García Marquez nos apresenta peregrinos latino-americanos vivendo na Europa. Imigrantes com oceanos a lhes separar de tudo que lhes é realmente conhecido e valioso, suas vidas se desenrolam em saudades da terra natal e visões estrangeiras sobre o velho continente.

O passeio da vez é, portanto, por corações latinos em chãos europeus, desenvolvido com maestria pelo ganhador do Prêmio Nobel de Literatura.

Doze contos peregrinos, de Gabriel García Marquez
R$ 49,90 – Editora Record

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ÁSIA

11. Os Excluídos (Yiyun Li)

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(Divulgação)

A escritora chinesa Yiyun Li figura na lista “20 under 40”, elaborada pela revista americana The New Yorker a cada dez anos com nomes promissores da literatura internacional.

Seu primeiro romance publicado no Brasil, Os Excluídos, acontece em uma pequena cidade chinesa depois da morte de Mao tsé-Tung e do fim da Revolução Cultural. Finalmente livre, a protagonista Gun Shan passa a criticar o regime e se tornar uma ameaça para o governo, assumindo uma postura corajosamente contestadora.

Os Excluídos, de Yiyun Lin
R$ 54,90 – Editora Nova Fronteira

12. O deus das pequenas coisas (Arundhati Roy)

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(Divulgação)

Este primeiro livro da escritora indiana a consagrou rapidamente como um fenômeno da literatura. Arundhati Roy conquistou o britânico Booker Prize, seu livro foi publicado em mais de 20 países e rendeu milhões de dólares à autora.

Ambientado na Índia, com rica construção de personagens, cenas e aromas, O deus das pequenas coisas parte da história de dois irmãos gêmeos de sete anos para contar sobre todo o mundo ao redor.

O deus das pequenas coisas, de Arundhati Roy
R$ 29,90 – Companhia das Letras

13. As rãs (Mo Yan)

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(Divulgação)

O escritor chinês foi um dos nomes mais criticados por ter recebido um Prêmio Nobel de Literatura na história da premiação. Foi acusado de ser apoiador e apologista do regime comunista ditatorial, por não criticar o governo. Sua obra, no entanto, segue tendo calorosa importância, principalmente pela visão interna que oferece sobre a sociedade chinesa.

Em As rãs, conhecemos Corre Corre, um aspirante a escritor, e sua tia, uma obstetra com pulso de general. A ela cabe garantir a execução da Política do Filho Único, podendo chegar a realizar abortos em nome do controle de natalidade imposto pelo Estado. As rãs é escrito com humor, destreza, inventividade e riqueza plástica, nos levando até a China pela construção da linguagem.

As rãs, de Mo Yan
R$ 54,90 – Companhia das Letras

14. Kitchen (Banana Yoshimoto)

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(Divulgação)

Kitchen é o primeiro livro da escritora japonesa contemporânea Banana Yoshimoto. O romance recebeu críticas favoráveis em publicações como The New Yorker, The Times e The Independent.

A jovem Mikage Sakurai vive o luto da avó quando se aproxima de um amigo da falecida, Yuichi, que trabalha em uma floricultura. Mikage acaba indo morar com ele e com sua mãe transsexual, Eriko. A jovem é apaixonada por culinária e a viagem do livro nos leva não só ao Japão, mas a cozinhas e experiências gastronômicas ora curiosas, ora apaixonantes.

Publicado no Brasil pela editora Nova Fronteira, o livro está atualmente fora de catálogo, sendo possível comprá-lo por plataformas como Estante Virtual e Mercado Livre.

Kitchen, de Banana Yoshimoto
R$49,50 – Editora Nova Fronteira

15. No zênite (Duong Thu Huong)

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(Divulgação)

No zênite é a principal obra da escritora vietnamita Duong Thu Huong e tem como figura principal Ho Chi Minh, nomeado no romance como “o Presidente”. No livro, política, poder, guerra e amor se misturam, sendo constante a luta por se reerguer e firmar: a nação e seus cidadãos.

A escritora narra a vida de moradores de um pequeno vilarejo, assim como as tramas ocultas dos jogos de poder políticos e os desvios do amor para superar tragédias. Segundo o francês Le Monde, “Duong Thu Huong sabe como criar as cenas, as descrições, a natureza, os detalhes que prendem o leitor sem nunca cansá-lo ou perdê-lo.”

No zênite, de Duong Thu Huong
R$ 64,90 – Editora Objetiva

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