As muitas vidas de Chanel
A jovem Chanel era uma estilista única. Quando a imprensa americana descobriu os novos modelos que ela estava criando, queriam sempre mais. Foi seu romance com Boy Capel que levou uma energia masculina a seu guarda-roupa em constante evolução. Ela tomava emprestadas suas calças, pijamas, chapéus de marinheiro e paletós.
Os amantes que teve em sua vida frequentemente exerceram influência direta em seus modelos. Do Gran-duque Dimitri ela emprestou a roubachka, uma blusa russa tradicional, casacos forrados de pele e bordados. E do Duque de Westminster, ela tomou uma queda pelo estilo naval, botões dourados, punhos brancos e paletós de tweed.
Em 1921, ela lançou seu primeiro perfume, o CHANEL Nº5, com notas de rosas de maio, jasmim e aldeídos. Seu sucesso jamais foi superado por nenhuma outra fragrância, e provavelmente nunca será. Foi Marilyn Monroe que, ao lhe perguntarem o que usava para dormir, deu a famosa resposta, “Uma borrifada de CHANEL N°5.”
Coco criou um vocabulário de estilo que passou a significar a excelência da marca Chanel. Ela era audaciosa e tinha um sexto sentido para o estilo. Ela resumiu seu impressionante pretinho básico de 1926 dizendo, “As mulheres pensam em todas as cores exceto na ausência de cor. Eu já disse que o preto é tudo. Branco também. Sua beleza é absoluta.”
Em 1932, ela apresentou suas jóias “Bijoux de Diamants” para toda Paris. Todos ficaram deslumbrados com sua coleção Haute Joaillerie, inteiramente dedicada a platina e diamantes, sua pedra favorita. Ela explicou, “Se escolhi diamantes é porque representam o maior valor no menor volume.”
Chanel conviveu com os astros das artes de sua época, colaborando com Cocteau e Picasso no teatro e patrocinando financeiramente Stravinsky, Diaghilev, Radiguet e Pierre Reverdy. Ela estava em todos os lugares ao mesmo tempo: desde Veneza com amigos como Misia Sert até no Ritz em Paris—o hotel que seria seu lar. Como empresária ela nunca deixava nada ao acaso; suas declarações expressavam profundos aforismos como, “Se você nasce sem asas, faça tudo o que puder para fazê-las crescer,” ou “Não gosto quando falam da moda Chanel. Chanel é acima de tudo um estilo. A moda passa, o estilo fica.”
Em 1939, ela fechou seu ateliê de alta costura. Então, aos 71 anos, ela retornou com um desfile lendário no dia 5 de fevereiro de 1954. Foi uma segunda revolução. Em poucas estações, ela deu às mulheres seu terminho de tweed sequinho, a bolsa ‘2.55’ de matelassé de couro, a camélia, os sapatos bicolor … e recuperou sua posição de rainha em mundo que achava que ela já havia passado há muito tempo. Ela lançou o ‘Pour Monsieur’ e ganhou o Oscar da moda na cidade americana de Dallas, Texas, como a “estilista mais influente do século XX.”
Tudo de Chanel, sua vida, amores e estilo pessoal se refletiram em seu trabalho. Ela não tinha limites para nada e sua abordagem única no desenho de moda era repleta de vida, aprendizagens pessoais e descobertas. O esporte que ela adorava influenciou o corte e simplicidade de suas roupas. As jóias que ganhou foram reinventadas em formas novas e originais. As viagens que fez, as pessoas que conheceu, as amizades que cultivou, suas superstições, tudo contribuiu para seu processo criativo, resultando em uma obra que traduz a história do século no qual viveu.
“Eu criei moda durante um quarto de século. Por quê? Porque eu sabia como expressar o presente,” disse Chanel, que faleceu em 10 de janeiro de 1971, poucos dias antes seu desfile primavera-verão de alta costura. O mundo prestou homenagem a uma das mulheres mais influentes do século, porém o livro de Chanel está longe de acabar.
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