Tudo o que você precisa saber sobre terapia de casal
Enfim, separados
Janete*, arquiteta, 35 anos, casou-se aos 20. Cinco anos depois, ela propôs a terapia. Após seis meses de tratamento, optaram pelo divórcio.
A crise
"No início, éramos muito imaturos. Hoje vejo que nossos problemas começaram lá atrás. Ele era egoísta e eu não me impunha. Fui deixando de fazer as coisas de que eu gostava, como cantar, achando que a insatisfação era culpa minha, pois ele sempre me acusava”, conta ela. Os dois estavam casados havia cinco anos quando se mudaram para a Suíça .“Ele se mostrava cada vez mais distante. Quando chegava em casa, à noite, via TV e ia correr. Se eu puxava assunto, alegava cansaço. Se eu me queixava, respondia que eu inventava coisas. Vivia mal-humorado e reclamava de qualquer tarefa doméstica. Eu, grávida do segundo filho, tinha que trocar até lâmpada.”
O processo
"No consultório, era eu quem falava mais, embora a terapeuta tentasse convencê-lo a se expressar. Mesmo assim, fiquei animada, porque ele se modificava ao longo das sessões: voltava para casa querendo conversar”, conta ela. No entanto, tudo mudava com as viagens que ele fazia a trabalho. “Retornávamos à estaca zero. Aí, ele melhorava de novo; viajava e tornava a piorar. Era frustrante.” Após três meses, a terapeuta sugeriu atendê-la individualmente e passar o marido para um colega na tentativa de fazer com que ele se soltasse. Nas consultas individuais, ela começou a perguntar como eu agiria se ele tivesse outra pessoa. Fiquei louca da vida. Ele não faria isso.” Janete resolveu investigar e encontrou gastos estranhos na fatura do cartão do marido. “Cheguei a ir a um hotel, dizendo que meu cartão tinha sido roubado. O funcionário me mostrou a cópia do documento dos dois. Eu tinha saído havia pouco da maternidade; minha filha era recém- nascida. Terminei o casamento naquele dia mesmo e depois retornei ao Brasil com os meus filhos.”
A conclusão
"Gostei muito de ter feito a terapia, mas, olhando em retrospectiva, considero que meu casamento já es tava acabado quando iniciamos. Se tivéssemos começado antes, talvez o desfecho fosse outro. Ficava im pressionada com a forma como as sessões o tocavam – eu reconhecia a pessoa que ele era no início da nossa história. O problema é que ele não se entregou ao tratamento e à reconstrução da relação, preferiu continuar me traindo”, diz Janete. Para ela, o método é válido, sobretudo se o marido é cabeça-dura. Quando uma terceira pessoa fala com ele – mesmo que seja com os mesmos argumentos da esposa –, ele ouve mais”. Hoje, ela confessa não ter a menor vontade de voltar ao divã: “Estou sozinha e só entraria de novo numa relação se sentisse que ela pode ser saudável e equilibrada”.
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