Tudo o que você precisa saber sobre terapia de casal

Juntos e fortes

Eliana*, headhunter, 27 anos, e o marido, Paulo*, publicitário, 29 anos, fizeram terapia em 2008, após dois anos de casados.

A crise
"Devíamos ter começado antes porque na verdade os problemas surgiram no tempo de namoro”, diz Paulo. O casal chegou a romper dois meses antes do casamento, por iniciativa dele, que estava indeciso. “Sempre tive muitas responsabilidades e nunca pude dar vazão ao meu lado mochileiro, que vivia me chamando para largar tudo e sair pelo mundo. Eu sentia que o casamento me afastaria dessa vida de aventuras que eu desejava”, revela Paulo, que acabou mudando de ideia e, por amor, decidiu apostar na vida a dois. “Assim que casamos, minha insatisfação disparou. Nossas diferenças vieram à tona com mais força: eu, todo inquieto, e ela, mais responsável. Parecíamos incompatíveis”, conta ele. O jeito de cada um lidar com dinheiro pesou nas discussões porque, enquanto sua mulher, Eliana, é organizada e gosta de poupar, Paulo prefere gastar com viagens e passeios.

O processo
"A decisão de fazer terapia foi tomada em conjunto. No total, fizeram dez sessões. “Em muitas, quebrávamos o pau”, lembra Paulo. Eliana diz que saía do consultório triste ou feliz, dependendo da sessão. “Na maioria das vezes, eu me sentia aliviada e disposta a buscar melhorias. Mas não é fácil cutucar as partes da consciência e do coração que estão acomodadas ou que são sensíveis.” Para ela, o mais interessante foi ter reservado um momento para cuidar da relação. “O dia a dia é corrido, e era muito bom parar tudo e focar nisso.” Paulo achou marcante uma intervenção: “O terapeuta comparou os jogos de tênis e frescobol. No primeiro, cada um compete pela bola. Se o outro a derruba, é ponto para você. Já no frescobol, ninguém está competindo. O objetivo do jogo é manter a bola em pé e pegá-la de volta, caso ela caia”, conta ele. “Vi que nós dois estávamos jogando mais tênis do que frescobol. Nas discussões, éramos agressivos, cada um queria mostrar que tinha razão.”

A conclusão
O maior benefício da terapia foi ter amenizado as discussões do casal, que aprendeu a se comunicar melhor e a aceitar o ponto de vista do outro. “Também valeu abrir o coração e comentar sentimentos que preferimos esconder para evitar conflitos”, diz Eliana. “Com certeza, eu faria terapia de casal novamente e recomendo. Ao longo do processo, nossa relação se tornou mais suave.” Paulo é mais ponderado: Acho que foi bom, mas não decisivo. Não consigo medir os benefícios. No fim das contas, somos nós mesmos que decidimos o que fazer da nossa vida. Continuo querendo gastar mais do que ela, mas resolvi continuar casado e tentar melhorar a relação. A terapia nos ajudou a lidar com essa e outras diferenças”.

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Juntos e fortes
Conselhos práticos para harmonizar a vida a dois

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