Autossabotagem: quando seu maior problema é você

As saídas


Além de identificar os sintomas, encarar a autoimagem é uma providência importante, observa a psicanalista Sandra da Luz Inácio, de São Paulo. “A percepção que a pessoa tem de si pode aprisioná-la. Ela aceita esse retrato congelado como um quadro verdadeiro e permanente”, diz a especialista. Nesse contexto, esquecemos que cabe a nós a construção e reconstrução de nossa vida, que ela é um processo. Quando esse fluxo para, essa imagem fixa tende a se expressar com frases prontas. “Aproveite para anotá-las. Elas ampliam a percepção, revelam como você vê a si mesma e a situação – estão ligadas aos comportamentos de autossabotagem”, afirma Sandra.
Outros antídotos contra o problema são apontados pelo educador Luciano Meira, da Franklin Covey, empresa de São Paulo especializada em treinamento para  desenvolvimento humano. “Procure avaliar os seus pontos fortes para compensar, pois essa sabotagem funciona como um modo de se autodesvalorizar”, diz ele. Uma forma de fazer essa lição de autoconhecimento é listar as coisas que você já realizou e são motivo de orgulho, demonstram o seu potencial. Luciano aponta também outra estratégia: diante de um desafio, não se coloque um objetivo grandioso. Defina metas menores e vá cumprindo as etapas.“ Pequenas vitórias fazem grande efeito. A pessoa pensa: ‘Se consegui vir até aqui, posso ir mais longe’ ”, diz Luciano. Esse recurso é indicado para o campo profissional, mas também pode ser adaptado ao pessoal. Trace um caminho realista – e fortaleça-se a cada passo.

Como desativar as próprias armadilhas


No campo da Filosofia Clínica, corrente que usa a metodologia filosófica para tratar problemas existenciais, a autosabotagem é chamada de armadilha conceitual. “Trata-se de uma trama de conceitos que aprisionam a pessoa”, explica o criador da Filosofia Clínica, o filósofo Lúcio Packter, de Porto Alegre. Quem cai nessa teia descreve que tem a impressão de estar numa areia movediça. “No consultório, ao ouvir os relatos dessas pessoas notamos expressões como ‘eu nado, nado, e não saio do lugar’, ‘parece que a minha vida anda em círculos’, ‘quando mais eu busco, menos eu encontro’”, exemplifica.
Segundo ele, há inúmeras formas pelas quais uma trama conceitual pode atrapalhar a vida da gente, criando essa sensação de imobilidade.
O paradoxo é que nem sempre elas são nocivas – às vezes, atuam como proteção, cumprindo funções importantes de organização na estrutura do pensamento da pessoa”, afirma Lúcio. “Um homem que tem propensão a sair com várias mulheres pode se recolher, ativando uma “armadilha” que o torna pouco sociável”, exemplifica o filósofo. “Isso vai resultar em certos dissabores mas, por outro lado, garante sua estabilidade familiar com a mulher e os filhos”. Nesse caso, essa atitude foi a forma que conseguiu encontrar para proteger a dinâmica famíliar.
Na abordagem da Filosofia Clínica, o paciente aumenta a consciência sobre suas estruturas de pensamento, descobre como seus conceitos funcionam para ajudar ou atrapalhar sua vida – e assim conseguem  superar a sensação de paralisia, revendo seu modo de pensar e agir.

VEJA NESTA REPORTAGEM

Foto Chris Parente/Realização Noris Martinelli/Cabelo e maquiagem Erick Santos, BLZ/Vestido, Tessuti/Modelo Ismara Steinhorst, Lumière

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