Autossabotagem: quando seu maior problema é você
Desejo e punição
Para a psicoterapeuta Maura de Albanesi, diretora do Instituto de Terapia Avançada AMO, em São Paulo, a autossabotagem também pode sinalizar um conflito. Quando a pessoa não sabe o que quer, o boicote entra em cena como um mecanismo de defesa ou de punição e está ligado ao baixo amor-próprio. “É uma atitude que mostra a insatisfação com os rumos que a vida está tomando. Há uma sensação de incapacidade de avaliar e projetar o que realmente se deseja”, explica ela. Thais descobriu que era esse o seu caso. Dois dias depois da crise de choro antes de visitar o cliente do banco, ela procurou terapia. Ficou cinco meses de licença médica e fez um balanço da vida.
Vi que não estava feliz no emprego. Era muita pressão, o banco tinha metas que eu não conseguia cumprir e me sentia incompetente por isso. Também constatei que a filosofia da empresa era contra meus princípios, o que gerava um conflito interno”, lembra Thais. Um mês depois que voltou da licença, foi demitida: “Era a senha para que eu reformulasse minha vida. Hoje trabalho numa empresa de treinamento. Tenho outro cargo, meu salário diminuiu, mas não me arrependo. Aquela crise explicitou minha necessidade de transformação. Nada paga a paz de espírito que tenho hoje”.
Os sintomas
O primeiro passo para enfrentar o círculo vicioso do boicote é se dar conta dos sintomas. A autossabotadora costuma penar com comportamentos bem repetitivos.
Listamos abaixo os mais fáceis de identificar:
• Justifica seus erros e coleciona desculpas. Busca aliados para mostrar que tem razão.
• Adia a tomada de providências práticas para superar limitações que percebe em si mesma ou que são apontadas por outras pessoas. Deixa tudo para amanhã.
• É pessimista, não consegue enxergar o lado bom das coisas e contamina as relações.
• Sofre de um conflito interno entre o que deseja fazer e o temor de que não dará certo: “Eu quero muito, mas não consigo”.
• Deixa-se dominar por dúvidas que destroem as chances de tomar iniciativas.
• Não consegue focar e sente dificuldade de estabelecer objetivos e lutar por eles. Ou, então, perde um tempo enorme planejando ações, mas nunca as coloca em prática.
• Acelera na contramão quando cai na balada na véspera de uma atividade superimportante no trabalho; ou fala o tempo todo do ex no encontro com o novo amor.
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