Doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre as mulheres
Medicina de gênero
Só nos anos 1990, trabalhos começaram a chamar aatenção para peculiaridades do corpo e do coração feminino. Antes, os resultados dos estudos com homens eram simplesmente transportados para mulheres. Em 1993, o governo americano passou a exigir a inclusão de mulheres nas pesquisas, o que inspirou outros países a fazer o mesmo. Mas o grande divisor de águas foi o livro Exploring the Biological Contribution to Human Health: Does Sex Matter? (Explorando a contribuição biológica para a saúde humana: o sexo importa?), publicado em 2001 por um comitê americano. Ainda sem edição no Brasil, a obra questionava a importância do sexo nas discussões sobre saúde. “O livro marca o nascimento da medicina de gênero, que propõe condutas específicas para cada sexo, a revolução do século 21”, diz Elizabeth, que assume em janeiro a diretoria científica do Departamento de Cardiologia da Mulher da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Os frutos da nova especialidade são recentes. A primeira campanha de prevenção da Associação Americana do Coração direcionada às mulheres é de 2004. Só em 2008 a Sociedade Brasileira de Cardiologia lançou a primeira diretriz voltada para elas, relacionada à reposição hormonal. O tema é espinhoso: essa terapia pode ou não proteger o coração? Estudos de 1998, que causaram alvoroço entre médicos e usuárias, concluíram que poderia haver danos às cardiopatas. Em 2002, as informações eram de que, além de aumentar a probabilidade de ocorrer câncer de mama, não ajudaria a prevenir infartos e derrames. O risco de câncer de mama se mantém, mas a reanálise do banco de dados do segundo trabalho e uma pesquisa europeia com metodologia semelhante sugerem que pode haver proteção ao coração se a terapia for iniciada no período ao redor da menopausa, que no Brasil acontece, em média, aos 50 anos. Mas cada caso deve ser rigorosamente analisado.
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