100 mães e filhas conversam sobre sexo

Enquanto isso, as meninas...

...reproduzem solenemente o discurso das mães. Indagadas sobre quem é a pessoa mais influente quando o assunto é sexo, 60% das adolescentes não hesitaram em apontar a mãe. O depoimento da estudante Melanie Coti Truman, 13 anos, de São Paulo, ilustra bem essa relação: “Nossa conversa foi decisiva para que eu entendesse que devo esperar o momento certo. Eu pensava que podia ser logo, mas, conforme ela foi me falando sobre HIV, doenças e a importância do uso da camisinha em qualquer relação sexual, percebi que requer muita responsabilidade e maturidade”. As entrevistadas podiam dar mais de uma resposta. Assim, 26% creditaram essa influência às amigas e 24% garantiram que vão pela própria cabeça, sem levar outras opiniões em conta. Com poucas menções, surgem o namorado, a escola, a irmã mais velha e a revista CAPRICHO (publicada pela Editora Abril). Para Laís Faria, 15, de Salvador, as amigas são referência. “Minha mãe falou apenas para eu tomar cuidado quando estiver namorando”, lembra ela. Nenhuma das duas se sentiu confortável nessa conversa. No fim, acho que não temos intimidade. Fica mais fácil conversar com as minhas amigas.” A mãe de Laís, a professora de educação física Márcia, 44, faz parte dos 14% de mulheres que admitem não falar sobre sexo com a filha. “Ainda me sinto constrangida em tocar no assunto. Sinceramente, não consigo imaginar minha filha fazendo sexo. Não a vejo ainda como mulher.”

Se a maioria das garotas é tão fiel ao discurso materno, é de esperar que estejam assustadas com os riscos do sexo. Muitas falas, de fato, traduzem essa expectativa. Desde que minha irmã mais velha engravidou, aos 14 anos, me preocupo muito com sexo. “Minha mãe me disse que tenho vários exemplos ao meu redor”, observa Clarisse da Costa Oliveira, 14 anos, de Belém. Será que tantas advertências sobre o perigo do sexo podem complicar as descobertas sexuais das nossas filhas? Para Maria Helena Vilela, do Instituto Kaplan, a resposta é não. “O dar-se bem sexualmente não está ligado apenas à bagagem que a gente traz de casa. A nossa educação sexual é formada com a visão e os valores dos nossos pais, mas também recebe interferência dos amigos, das pessoas que a gente admira, dos professores. A mãe tem uma influência importante, mas não chega a determinar o comportamento sexual da filha.”

Queria que ela tivesse
uma visão bonita do sexo.
Dizem que eu falo as coisas
antes de ela perguntar,
mas acho que estou certa

Rosimari Cerutti,
40, empresária,
de Porto Alegre,
com Valentina, 12

100 mães e filhas conversam sobre sexo
Enquanto isso, as meninas... Como será com elas?
Como foi com elas? As mães sempre sabem?
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Puxando o ASSUNTO As meninas contam

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