100 mães e filhas conversam sobre sexo
Sexo-perigo
Afinal, o que é falar sobre sexo? Indagadas sobre quais eram as ideias mais importantes que queriam passar às filhas, 40% das mães apontaram a necessidade de evitar doenças e 26% mencionaram o temor de uma gravidez indesejada. A terceira resposta mais frequente era sexo tem que ser feito com amor” (18%), seguida de perto por “prazer com responsabilidade” (16%) e “é preciso se preservar” (14%). Convidadas a dar detalhes sobre as tais conversas, a maioria das mães revela ter se prendido aos riscos da vida sexual. “Quando minha filha menstruou, caiu a ficha de que eu tinha que falar algumas coisas para ela”, conta Marilene Alves, 42, tenente-coronel da Polícia Militar, de Belém. “Expliquei que ela poderia engravidar, que o corpo dela estava mudando, os seios aparecendo, o que chamaria muito a atenção dos homens. Deveria ter mais cuidado.” Nicole, a filha, de 13 anos, entende a preocupação materna. “Fiquei impressionada com o caso de uma amiga minha, de 14 anos, que engravidou. Agora, em vez de sair, ela tem que ficar cuidando do filho. Não quero isso para mim.”
Não há nenhum erro em alertar a garota sobre o risco de uma gestação indesejada e das DSTs, claro. A questão é que, entre as mães ouvidas por CLAUDIA, o papo não avançou muito – e, em última instância, é bom lembrar que esses assuntos são feijão com arroz nas escolas de hoje, a ponto de muitas meninas surpreenderem as mães entrevistadas com seus conhecimentos sobre esse lado do sexo. “O diferencial dessa geração adolescente é o nível de informação”, reconhece o educador sexual Marcos Ribeiro. “Essas mulheres estão perdendo a oportunidade preciosa de ensinar às filhas a única coisa que as garotas não aprendem na escola: a lidar com as emoções e a intimidade”, acredita Maria Helena Vilela, do Instituto Kaplan. “Não conversam sobre a sexualidade, que vai muito além do ato sexual. Não falam sobre o que é ser mulher hoje. Estão mais preocupadas em expor seus valores e deixar claro o que esperam da filha do que em saber como ela se sente.” Só duas mães se empenharam em informar às filhas que “sexo é bonito e saudável”. Ao tirar de cena a diversão e a alegria do sexo – talvez temendo assim chancelar uma iniciação precoce –, o efeito pode ser o oposto. “Se não falam do que isso pode trazer de bom, a menina terá dificuldade para admitir o seu tesão. Quando você não espera que vá chover, não leva o guarda-chuva. Como, então, esperar que as garotas se previnam?”, pergunta Maria Helena.
![]() | Quero que ela conheça seu corpo e suas vontades, pois a primeira vez é uma decisão muito marcante para qualquer mulher |
| RESPONDA À ENQUETE |





