Claudia Leitte, as mil faces da deusa do axé

Claudia Leitte, cantoraVocê disse que a sua música também representa um canal de ajuda espiritual. Como funciona isso?
O que acontece por meio da minha música ajuda, sim, algumas pessoas. Sempre procuro passar boas mensagens. Só me envolvo em campanhas nas quais acredito, a favor da amamentação e contra as drogas, por exemplo. O título do CD que lanço depois do Carnaval, Sette, foi inspirado num versículo bíblico, em Mateus 7, que diz que antes de julgar os outros devemos olhar para as próprias atitudes. Tenho cada vez mais interesse por temas ligados à espiritualidade. Comecei a estudar direito, depois comunicação, mas não concluí nenhum dos cursos. Penso agora em fazer faculdade de teologia pela internet.

A religião é parte muito importante da sua vida, então?
Religião, não. Mas Deus é. Nunca pensei que a gente fosse fruto de poeira cósmica. Já recebi alguns sinais divinos na vida. A última intervenção de Deus, que acho que tive, foi há poucos meses. Eu estava gravando o programa do Luciano Huck, no Rio, quando me senti avisada de que deveria levar rapidamente meu filho, Davi, ao hospital. Parei tudo e dei ouvidos a essa intervenção de Deus. Davi foi diagnosticado com meningite. Nunca sofri tanto na vida. Felizmente ele se recuperou.

Você se sentiu muito suscetível a julgamentos naquele momento?
Demais (faz pausa para, em seguida, revelar que o assunto ainda a emociona). Teve gente que me julgou e disse que a doença foi provocada pelas minhas turnês. Mas o meu filho fica em casa. Só viajo com ele de avião fretado. Nunca viu multidões nem esteve no meu camarim.

O que está achando da experiência de ser mãe?
É maravilhosa. Parece que a vida faz mais sentido. Eu quero ter mais filhos porque nasci mesmo para ser mãe. Tanta empolgação com a família pode estar ligada ao modelo familiar positivo que conheci na infância. Sempre fomos muito unidos. Minha mãe (Ilna, professora, 51 anos) é baiana e conheceu meu pai (Cláudio, administrador de empresas, 53) pedindo carona na volta da praia em Salvador. Na época, era comum as pessoas se conhecerem assim. Meu pai é carioca, mas morava em São Paulo. Eles namoraram por correspondência durante oito meses antes de casar. Foram morar em São Paulo quando mamãe engravidou, mas ela não se adaptou. Era para eu ter nascido em Salvador. Só que ela sofreu uma ruptura de bolsa e desceu na escala do Rio. Meu tio tinha uma clínica em São Gonçalo, e meu pai voou de carro para lá. Na travessia da ponte Rio-Niterói, ele discutiu com um guarda que parou o carro por excesso de velocidade. Meu nascimento foi conturbado, mas a minha infância foi tranquila. Com cinco dias de vida, fui para Salvador. Vivemos lá até hoje.

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