Claudia Leitte, as mil faces da deusa do axé


Podemos começar?
Espera. Quero fazer a primeira pergunta. Você se importa se a entrevista for acompanhada pelos meus seguidores no Twitter?

Quantas pessoas estão aí com você?
Quinze mil, por aí. O Twitter é uma ferramenta mais recente, estamos crescendo. Mas a minha comunidade no Orkut, entre os artistas, é a maior do Brasil. São quase 600 mil usuários cadastrados. Também estou no Facebook e no MySpace.

O perigo é que aí deixa de ser uma entrevista exclusiva e passa a ser uma coletiva.
Não (levando a sério)! Só você fará as perguntas, eles ficarão apenas acompanhando e fazendo comentários que vão aparecer aqui na tela. (Ela vira o computador e mostra dezenas de manifestações de fãs correndo pela tela. Muitas com o mesmo texto: “Eu te amo!”)

Talvez você possa deixar o computador ligado apenas no começo da entrevista e depois desligá-lo (descem na tela diversas aprovações por parte dos seguidores). O Twitter hoje faz parte do seu show?
Estou totalmente viciada. A internet sempre foi um dos grandes apoios do meu trabalho. Mas por culpa do TwitterTwitter tenho passado mais horas moitando na frente do computador. É impossível interagir com todos os meus seguidores, mas respondo a uma ou outra pergunta e continuo escrevendo textos mais longos no meu blog. Muitos internautas são bem jovens e às vezes escrevem bem errado (risos). Eu não perdoo e corrijo (continua rindo). Meu incomoda ler “chato” e “bicho” escritos com x (vários seguidores fazem agora a mesma provocação: “xata”). Desaprovo até o abuso das abreviações. Fazer isso o tempo todo banaliza e empobrece a língua.

Os seus textos no blog costumam ser bem escritos e pontuados, sem muitas concessões ao “internetiquês”. Você tem realmente apreço pela gramática?
Muito. E também pela literatura. Adoro Clarice Lispector e Fernando Pessoa. Do Pessoa, gosto de Alberto Caieiro, o “homem do campo” (a repórter o confunde com Álvaro de Campos, o heterônimo do engenheiro, e Claudia Leitte prontamente faz a retificação). Outro dia, um crítico de uma conhecida revista perguntou se eu estava dando essa declaração só para fazer bonito. Perguntei se ele estava me achando burra. Ainda existe muito preconceito com quem canta axé. Mas parei de me preocupar com a crítica e nem sempre leio o que escrevem sobre mim. Meus fãs são o meu melhor termômetro.

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