Conheça Fernando Andrade, diretor do filme “Coração Vagabundo”

A relação com Caetano

O trabalho de conclusão da faculdade, o curta De Morango, foi a ponte que ligou Fernando a Caetano Veloso em 2003. O paulistano enviou o filme para os maiores produtores nacionais e só Paula Lavigne respondeu. Convidou-o para fazer o videoclipe de Você Não Me Ensinou a Te Esquecer, interpretado por Caetano, na época marido dela. Na sequência, viria o DVD do show A Foreign Sound, mas Fernando acabou convencendo Paula a fazer um documentário da turnê
de Caetano pelos Estados Unidos e pelo Japão. Foi uma espécie de radiografia do mito da MPB, que se revelou a Fernando até mesmo nu, fazendo a barba. “Ele é firme, teimoso em suas decisões”, declara Caetano. “Tem uma obsessão tão grande em fazer cinema que às vezes se torna fominha demais.” A relação entre eles é o alimento do filme. Com paciência baiana, o compositor explica ao novato o que foi o tropicalismo, o que é nascer em Santo Amaro e ser provinciano em Nova York... Caetano, então com 61 anos, e Fernando, 22, conviveram por 42 dias e se tornaram amigos. O mais velho ainda ensinou ao garoto um pouco de cinema e sugeriu que visse O Passageiro, Profissão Repórter, do mestre italiano Michelangelo Antonioni. Fernando Andrade se apaixonou, foi para a Itália falar com o diretor (morto em 2007) e colocou as imagens do velho, emocionado, no documentário. Para incluir um trecho de O Passageiro, no entanto, precisava da autorização do detentor dos direitos, o ator Jack Nicholson, que mandou lhe dizer um sonoro não. Inconformado, às vésperas da estreia, jogou a última cartada: reservou para Nicholson o melhor hotel de Roma e mandou o convite com uma notinha de rodapé: “Posso usar as imagens no meu filme?” Deu certo.

 

Íntimo das orquídeas

 
Desde pequeno, Fernando move montanhas para conseguir o que quer”, afirma Luciano Huck. “Nunca se contentou com pouco. Também é um cara extremamente sensível.” Esse sentimento aflorou em 1991, com a morte do pai, o jornalista Mário de Andrade, brilhante diretor da revista PLAYBOY, publicada pela Editora Abril. O cineasta tinha 10 anos, tornou-se um garoto recluso, e a solidão o fez ligar-se às orquídeas. Chegou a colecionar mais de 100 e entrou para uma sociedade de orquidófilos. “Era a única criança no meio de homens de 60 e 70 anos. Perguntava tudo, aprendi muito com esses amigos”, recorda o diretor, que considera a curiosidade sua principal marca, algo ainda mais forte que a sua tenaz persistência.

VEJA NESTA REPORTAGEM
Conheça Fernando Andrade / Fã de Woody Allen A relação com Caetano Veloso / Íntimo das Orquídeas

Fotos Fernando, Chris Parente/Produção Sylvia Radovan/Cabelo e maquiagem Sandro Borges; com Huck, acervo pessoal; Coração Vagabundo, divulgação

Páginas:
  • 1
  • 2