Como se proteger do ataque dos supervírus e das superbactérias
Driblando o remédio
Não deixa de ser surpreendente que no século 21 infecções comuns ainda causem complicações e óbitos. Afinal, quando os antibióticos apareceram, por volta de 1940, para combater as bactérias, e a vacinação contra esses germes e também contra vírus se tornou rotina, imaginou-se que a medicina havia derrotado as doenças infecciosas. Um estudo recente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), porém, constatou perda na eficácia de antibióticos. Feito em 64 UTIs de 21 estados, o estudo mostrou que a gentamicina não deu resultado em 59% dos pacientes com males gastrintestinais; a ceftriaxona não agiu em 70% dos casos de infecções urinárias; e de cada 100 doentes que receberam oxacilina contra pneumonia só 38 responderam bem. Mais: nos últimos dois anos, o maior causador de meningites bacterianas, a Neisseria meningitidis, tornou- se 12,6% mais resistente à penicilina e à ampicilina, de acordo com dados do Instituto Adolfo Lutz. Não apenas as bactérias estão descobrindo formas de driblar os medicamentos. Há relatos de resistência ao oseltamivir (Tamiflu, fármaco capaz de deter o vírus da gripe suína se usado nas primeiras 48 horas) na Dinamarca, no Japão e em Hong Kong. Aliás, esses agentes microscópicos têm revelado facetas surpreendentes. Certos tipos de câncer, como o cervical e o de fígado, decorrem da ação de vírus. Eles também estão relacionados a outros problemas. É o caso do herpesvírus 6, que, segundo um estudo da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, tem ligações com a doença de Graves, distúrbio da tireoide no qual anticorpos obrigam a glândula a trabalhar dobrado.
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