Como ensinar valorer, como partilhar e ceder, para filhos únicos

Opção consciente

País do filho único
Suely acaha complicado dozer não a Isabella. "Ela tem temperamento forte"
A favor do filho único, é preciso dizer que, para muitas famílias, a decisão de ter um só foi tomada serenamente, após muita reflexão e sem culpas – o que, logo de saída, tem um impacto positivo na saúde emocional dessas crianças. A secretária executiva Patrícia Veiga, 36 anos, encontra uma enorme satisfação pessoal no trabalho e acredita que, se desse um irmão a Sofia, 4 anos, seria mais difícil conciliar todas as tarefas. “Sofia fica na escola das 9 às 17h30 e reclama do pouco tempo comigo e com o pai. Isso me corta o coração, mas ainda acho que é a melhor saída”, conta Patrícia. Da mesma forma, a arte- educadora Veridiana Amorim, 31 anos, está convencida de que, com dois filhos, deixaria passar batido o lado bacana da maternidade. “Eu me separei do pai de Bernardo, mas, mesmo que me casasse novamente, não teria mais filhos”, afirma. O menino, de 4 anos, possivelmente ficaria feliz com um irmão, mas ela tenta compensar dando-lhe o máximo de atenção. “Logo ele vai ficar independente. Passa muito depressa”, justifica. Sem culpas e com o aval do psiquiatra Engels: “Se a mulher tem três filhos e um apronta, outro chora e o terceiro se machuca, ela dá uma bronca rápida no que aprontou, pede calma ao que está chorando e vai acudir o que se feriu. Quem tem um só dá muita atenção mesmo a ele, o que é natural e impossível de patrulhar”. Atenção, porém, não é sinônimo de falta de limites. “Dou bronca e castigo, preocupo-me em que não seja individualista, tenha discernimento e saiba dividir”, enumera a mãe.

A questão da falta de limites é particularmente sensível para pais de filho único. “É mais difícil porque a mãe está muito concentrada, afetivamente, no bem-estar imediato dele. Além disso, como outros pais, ela sente pena pelo sofrimento que acredita estar causando ao negar seus desejos”, explica Edson Engels. Mas nenhuma criança sofre muito tempo por não ter um desejo atendido – pelo contrário: ela aprende a tolerar frustrações e a lidar melhor com o mundo.” Abióloga Sue ly Ribeiro, 43 anos, sabe disso, mas ainda hoje acha complicado dizer não à filha, Isabella, 10 anos. A garota vive conversando com amigos pelo MSN e pelo Orkut. Suely observa de perto esses contatos virtuais, mas já desistiu de levar a menina até o portão da escola: Isa não deixa. “Ela tem temperamento forte e dificuldade de ouvir não. Preciso explicar muito para que ela perceba que estou com a razão, e nem sempre consigo”, conta a mãe. A psicóloga Lidia recomenda cuidado para não confundir espírito de liderança com arrogância: “As mães não devem encorajar comportamentos arrogantes acreditando ingenuamente que o filho já sabe o que quer. Toda criança precisa admitir os nãos ditos pela mãe”. Para Engels, quem não coloca limites abre mão de seu papel como educadora e prepara o terreno para um adulto que não suportará a rejeição. “A criança ama quem lhe dá afeto e limites.”

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