Como conviver em paz com sua família, seu parceiro e seus colegas de trabalho

“As pessoas se atacam quando devem atacar o problema.” É o que diz a  psicoterapeuta e consultora Maria Tereza Maldonado. Autora de 30 livros sobre relacionamentos e convivência em sociedade, ela aponta caminhos simples para encontrar a paz na vida cotidiana

Janaína Castro

Família FelizCLAUDIA É muito comum pensarmos na paz como o oposto de guerra, de conflitos civis ou de bandidos contra policiais. Na sua opinião, como se pode trazer esse conceito para dentro de nós?
Maria Tereza - Paz significa cuidar bem. Zelar com ações diárias por nós mesmos, pelos outros e pelo ambiente no qual vivemos.
 
CLAUDIA Filhos brigando, cachorro latindo, marido vendo televisão com o volume no máximo... Como dar um basta em tudo e buscar o equilíbrio dentro de casa?
Maria Tereza - Esse é o caso de convidar as pessoas a refletir como juntos podem sair desse arranca rabo que acontece toda hora. O problema no lar acontece quando não se está vivendo em harmonia. Se perguntar a cada um, todos dirão que a qualidade de convívio não está boa. E sempre pode melhorar. Cada um pode sugerir algo para que buscar um ambiente menos tumultuado. Qual é a definição que cada um traz do problema? Qual compromisso coletivo cada um pode fazer? Não pode melhorar? A reação mais típica para essas perguntas é um apontar o dedo um para outro. No entanto, a pergunta é: o que você pode fazer? Vem, então, a questão da responsabilidade coletiva, possível com acordos de bom convívio.
 
CLAUDIA Quando um conflito é necessário e qual é a chave para resolvê-lo?
Maria Tereza - Por causa das diferenças entre as pessoas, os conflitos sempre acontecem. A questão é criar situações satisfatórias para todos. Buscar pelo que há de semelhante nas diferenças. Por exemplo, você quer assistir a um canal e ele a outro. Em vez de guerrear, como criar um critério justo? Vale dividir o tempo, tirar cara ou coroa. Outra situação comum é a guerra do banheiro, quando todos precisam usá-lo ao mesmo tempo. O problema é como cinco pessoas podem usar o banheiro em um espaço de uma hora. As pessoas se xingam e a questão fica sem solução. As pessoas se atacam quando devem atacar o problema. Como atacar o problema sem atacar as pessoas? A saída é criar soluções criativas com todos pensando "nós temos um problema para resolver". Assim, a os membros da família passam a ser sócios para solucionar o dilema, ao invés de adversários.

Continua

CLAUDIA defende esta causa: a construção da paz

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