Beleza, o poder e o preço

O poeta pediu perdão às feias, mas foi definitivo: disse que beleza é  fundamental.CLAUDIA recebeu leitoras e convidados no Rio de Janeiro para discutir o poder, o preço e a neura que colocam em risco a saúde, a alegria e o sucesso feminino

Déborah de Paula Souza| Fotos Marcio Irala | Edição dos vídeos, Janaína Castro

Marcia Neder, Maitê Proença, Carlos Scheer e Mirian Goldenberg
Marcia Neder, diretora de redação, comandou o debate com a atriz Maitê Proença, o médico Carlos Scherr e a antropóloga Mirian Goldenberg.

Afinal, a beleza abre mesmo todas as portas? Foi com essa pergunta que Marcia Neder, diretora de redação, iniciou o IV Fórum CLAUDIA pela Mulher Brasileira. “Abre, sim. Mas, depois que você passa por elas, tem que saber como sustentar o seu lugar. E aí, só beleza não basta”, declarou a atriz Maitê Proença, também escritora, linda e uma de nossas debatedoras, ao lado da antropóloga Mirian Goldenberg e do cardiologista Carlos Scherr, no evento realizado no Rio de Janeiro, no auditório lotado do Edifício Mourisco, na praia de Botafogo. Estamos em um momento paradoxal. Por um lado, vivemos o auge da indústria da beleza, com seus apelos de consumo; por outro, vemos o auge da crítica em relação às pressões estéticas”, analisou Mirian, que é professora do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autora de vários livros, entre os quais O Corpo como Capital (Ed. Estação das Letras e Cores) e Coroas – Corpo, Envelhecimento, Casamento e Infidelidade (Ed. Record).

A beleza tornou-se fator de exclusão social, instigou Marcia Neder, lembrando que o conceito do belo não se restringe à questão de gosto e tem um aspecto político, pois não faltam preconceitos contra velhos, gordos e outros que não se encaixam nos padrões. Mirian concorda. Na visão da antropóloga, que há anos pesquisa grupos femininos, os modelos atuais, que valorizam só o corpo jovem e magro, reduzem a vida útil da mulher: “A partir dos 40 anos, fica mais difícil participar do mercado profissional e amoroso.” Segundo a estudiosa, as mulheres têm duas reclamações básicas: As mais velhas sentem-se ‘invisíveis’, os homens não olham mais para elas. E as que estão acima do peso ou se acham feias ressentem-se de ser ‘visíveis’ demais, e julgadas em função de sua aparência”. Embora essa rigidez prejudique sobretudo as mulheres, o médico Carlos Scherr, professor da Universidade Gama Filho e autor de Estilo Ipanema – Viva com Saúde sem Abrir Mão do Prazer (Ed. Rocco), afirmou: “Muitos homens consomem remédios e anabolizantes, é o lado ruim da vaidade. A boa forma não pode ser conquistada a qualquer preço. Se for, o custo é a saúde”.
Acompanhe os trechos mais empolgantes do Fórum.

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