Operação tapa-buraco: como se livrar de vez das dívidas

• Financiamento de veículos
Iniciamos o ano com 4,3% de inadimplência nessa modalidade de financiamento, segundo o Banco Central. É um recorde desde que essa insolvência passou a ser medida, em 2000. A recusa em perder dinheiro na venda do bem muitas vezes nos leva a perder muito mais, quando não o próprio bem. Temos que aprender de uma vez por todas que, se o carro não é instrumento de trabalho que gera recursos, não deve ser adquirido por meio de financiamento (sim, é bronca mesmo!). Se você não tem um carro mas precisa ter, o ideal é comprar um seminovo à vista com o dinheiro que juntou (mesmo que seja um basiquinho) e continuar poupando para trocar até chegar ao carro dos sonhos. Quem concluiu que não terá como pagar não deve ficar correndo de um lado para o outro se endividando cada vez mais para evitar o inevitável. Renegocie com a financeira antes de uma ação judicial – assim não perderá o veículo. Mas atenção: você acabará refinanciando-o e arrumando uma nova dívida. Se o seu financiamento for pelo sistema de leasing, que tem juros menores porque funciona como um aluguel (e é mais fácil retomar o veículo), o risco de perder o carro é grande. Faça as contas para ver se o melhor é devolver o carro em troca da dívida (muitas vezes é). Sem dor no coração: algumas vezes, perder é ganhar. Portanto, faça o que precisa ser feito o quanto antes e recupere sua paz.

• Empréstimo estudantil
O Fies, Fundo de Financiamento Estudantil, bancado pelo governo federal, financia até 75 % de cursos superiores e cobra juros relativamente baixos, de 3,5% ou 6,5% ao ano dependendo do curso. Os juros menores, de 3,5% ao ano, aplicam-se no custeio dos cursos mais baratos e de menor duração, como pedagogia e tecnológicos. A taxa de 6,5% vale para os demais, incluindo engenharia, medicina, veterinária, odontologia e outros que requerem estudo em período integral. Exige fiador para liberar o crédito.
Utilizando o simulador do site da Caixa Econômica Federal, é possível calcular o valor a ser pago por quem financia um curso a juros de 6,5% ao ano, com mensalidade de 2 mil reais. O estudante que financiar metade do valor do curso (veja bem, metade) pagará de juros 39 mil reais ao longo dos 90 meses de financiamento. Como o valor total financiado foi de 60 mil reais, será que esse realmente é um bom caminho para os estudantes?
Penso que não. Na juventude, movidos por nossos sonhos e ideais, talvez não percebamos a dura realidade que o Fies impõe: iniciar uma carreira com uma dívida enorme num mercado de trabalho não muito acolhedor. Existem hoje milhares de profissionais (sabemos quantos?) recém-formados em condição de inadimplência com o Fies e passando por momentos difíceis, uma vez que seus fiadores são acionados judicialmente para pagar a dívida e as negociações são quase impossíveis. O caso é tão sério que o Deputado Federal Paulo Pimenta apresentou no final de abril passado o Projeto de Lei N° 4945/09 que dispõe sobre a adoção de critérios para estimular a liquidação ou regularização de dívidas originárias de operações de crédito renegociadas ou repactuadas por estudantes universitários junto ao FIES. Se você está inadimplente e quer se unir a este movimento, acesse o site www.fiesjusto.com.br.

LEIA NESTA REPORGATEM
Caso 1: a família se endividou gastando mais do que entrava
Caso 2: toda vez que brigava com o namorado, ia às compras. A relação terminou, mas as dívidas permaneceram.
Caso 3: o casal está pendurado no cheque especial
Para quem você deve?

Foto Chris Parente/Realização Noris Martinelli/Produção Sylvia Radovan/Pulseira e anel, Fabrizio Giannone/Modelo Josi Bortolanza, Mega/*Todos os nomes foram trocados para preservar a identidade dos entrevistados

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