Operação tapa-buraco: como se livrar de vez das dívidas
Para quem você deve?
Cada credor pede uma abordagem diferente, lembra nossa colunista Elaine Toledo, autora do livro SAIBA MAIS PARA GASTAR MENOS (ED. ALAÚDE). Só assim você garante a melhor negociação e encerra o ciclo de endividamento
• Cartão de crédito
Pague, pague, pague, e o mais depressa possível. A negociação dessa dívida precisa estar no topo da lista, pois é a que tradicionalmente cobra juros mais altos, fazendo com que o saldo devedor aumente rapidamente. Para dar uma ideia, se você deve para o cartão a juros de 15% ao mês e não paga, após cinco meses o valor terá dobrado. Assustador, não é? Portanto, mãos e mentes à obra para tirar esse iceberg do caminho. A primeira opção é pedir ao seu banco um empréstimo pessoal com juros menores e quitar integralmente a dívida com o cartão, tomando cuidado para que as parcelas do novo empréstimo caibam no seu orçamento. Antes, porém, calcule o valor de parcela que efetivamente pode pagar – evitando, assim, recair no ciclo do endividamento. Outra boa opção, mas que requer compromisso firme, é pedir o valor emprestado a algum familiar que tenha dinheiro aplicado na poupança ou renda fixa. Hoje, essas aplicações rendem menos de 1% ao mês. Ofereça juros de 2% ao mês e todos sairão ganhando. E se a dívida, muito antiga, tornou-se impagável? Tente negociar uma redução dos juros de forma a torná-la palatável. As administradoras costumam se mostrar mais abertas a esse tipo de negociação quando o risco de inadimplência é muito alto. Afinal, entre não receber nada e receber algum valor, a segunda opção é a que interessa.
• Financiamento da casa própria
Muito cuidado aqui: a inadimplência pode gerar a perda do imóvel, que acabará indo para leilão, transformando o sonho em pesadelo. Para evitar isso, muita gente, ao perceber que não conseguirá honrar as parcelas, tenta renegociar esticando o tempo e reduzindo o valor da prestação, o que resultará num valor maior a ser pago no total. Não acho que seja a melhor opção, mesmo porque, se o seu problema for relacionado à base contratual, por exemplo, renegociar não resolverá por muito tempo. Melhor mesmo é tomar coragem e encarar o que diz o contrato, lembrando que os habitacionais são amparados pelo Código de Defesa do Consumidor, o que significa que o Procon pode ajudar você – gratuitamente. As ações judiciais são mais eficazes para discutir o reajuste do saldo devedor, a capitalização dos juros (juros sobre juros), o ajuste do valor da prestação à capacidade de pagamento do mutuário e a análise de cláusulas abusivas, entre outros itens, e poderão solucionar de vez o seu problema. Se seu imóvel irá para leilão, ainda há esperança: é possível entrar com uma ação para cancelar o leilão e ganhar tempo para negociar. Busque informações (gratuitas) com a Associação Brasileira dos Mutuários (ABMH, www.abmh.org). Se você comprou um imóvel ainda na planta e não consegue pagá-lo, poderá pedir a rescisão do contrato, desde que antes da entrega das chaves. Nesse caso, receberá 90% do que foi pago, corrigido monetariamente. Se houver resistência para devolver esse valor, procure a Câmara Técnica de Relações de Consumo de Habitação do Procon de sua cidade.
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