CLAUDIA entrevista Inés Alberdi, diretora executiva da Unifem

CLAUDIA Em 2008, houve protestos contra a alta do preço da comida em 34 países. No Peru, ocorreu panelaço no Congresso; no Haiti, mulheres fizeram e comeram biscoitos de lama. O Programa Alimentar Mundial considera esta a pior crise em 45 anos. As mulheres respondem por mais de 70% da mão-de-obra rural e correspondem à minoria dos donos de terra. Isso gera riscos para a segurança alimentar?
INÉS ALBERDI
Sem dúvida. O Unifem está trabalhando nas questões de direito da terra porque as pessoas que mais trabalham nela não têm acesso à propriedade. Há países em que as leis não permitem que as mulheres negociem terras ou herdem da família. As agricultoras têm grande consciência dos recursos naturais, sabem quais são as necessidades da terra e a melhor maneira de lidar com ela. No entanto, até bem pouco tempo, os programas de capacitação agrária, em muitos lugares, estavam abertos somente para os homens.

CLAUDIA Para abastecer a casa, as mulheres africanas gastam 40 milhões de horas por ano carregando água, o que corresponde ao trabalho anual de todos os franceses. Não é um desperdício de tempo?
INÉS ALBERDI
Sim. É preciso tomar medidas práticas para melhorar a capacitação de água nas comunidades e facilitar a vida dessas mulheres e meninas, que poderiam estar estudando ou descansando. Mais de 1 bilhão de pessoas no mundo vivem sem água potável, o problema mais crítico está na África subsaariana. A energia elétrica é outro produto caro e raro. Como são as mulheres que cuidam desses dois itens básicos e limitados, devem ser as mais ouvidas nas discussões sobre as mudanças climáticas.

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