Medo de apanhar

Patrícia Zaidan|Foto © Marcos Issa/Argosfoto

Instituto Avon lança Gargantilha da Atitude' e pesquisa 'Percepções sobre a Violência Doméstica contra Mulher no Brasil'
Luiz Felipe Miranda, presidente da Avon Brasil; ministra Nilcéa Freire; Lírio Cipriani, diretor do Instituto Avon e Fátima Jordão, do Instituto Patrícia Galvão

A violência que ocorre em casa, entre quatro paredes, é a maior preocupação das brasileiras. Elas temem o marido, o namorado e o ex-parceiro violentos muito mais que a AIDS, o câncer e a violência urbana.
Essa é a conclusão da pesquisa “Percepções sobre a Violência Doméstica contra a Mulher no Brasil”, realizada pelo Instituto Avon, Ibope Inteligência e Instituto Patrícia Galvão, divulgada dia 14 de abril em São Paulo. Foram ouvidas no mês de fevereiro, 2002 pessoas -- homens e mulheres acima de 16 anos -- em todas as regiões do país e todas as classes sociais.

No evento, CLAUDIA recebeu o reconhecimento público da ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, pela parceria no combate à violência e na defesa das mulheres. Os pontos principais do levantamento foram apresentados por Fatima Pacheco Jordão, pesquisadora e diretora do Patrícia Galvão.

Os dados:
- A violência doméstica é o tema que mais preocupa as mulheres (56%), seguido do aumento da AIDS entre elas. Em terceiro lugar, aparece o assédio sexual. Na sequência vêm: doenças como câncer de mama e útero; formas de evitar filhos e legalização do aborto. Dividir as tarefas de casa com o marido está em décimo lugar.

Mais:
- 55% dos entrevistados conhecem casos de agressões a mulheres.
- Medo de morrer caso rompa a relação é vista como a principal causa para a vítima continuar com o agressor (17%)
- 39% dos que conhecem uma vítima, tomaram alguma atitude de colaboração com a mulher agredida.
- Cresceu de 68% para 78%, entre 2008 e 2009, o conhecimento da Lei Maria da Penha.
- 51% defendem a prisão do agressor; 11% pregam a participação dele em grupos de reeducação como medida jurídica.
- A maioria não confia na proteção jurídica e policial à agredida.
- 44% acreditam que a Lei Maria da Penha já vem surtindo efeitos.
- 48% acreditam que exemplo dos pais aos filhos previne a violência entre homens e mulheres.
- Para a população, a questão cultural e o alcoolismo estão por trás da violência.

Participação dos homens
A ministra Nilcéa Freire informou que está em curso uma campanha dirigida aos homens para que eles discutam o problema e ajudem a mudar a cultura machista presente na sociedade, ainda muito patriarcal. Segundo ela, o principal sintoma dessa cultura é o sentimento de posse e de dominação que faz homens agirem como proprietário de suas filhas e companheiras. “Estamos coletando assinaturas de brasileiros que acreditam que o panorama tem que mudar, que a violência precisa acabar. Queremos recolher cem mil assinaturas de homens. Muitos artistas, políticos, governadores já assinaram”, disse Nilcéa.

VEJA NESTA REPORTAGEM
Dados da pesquisa Justiça, Disque 180, gargantilha e Avon
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